terça-feira, 27 de dezembro de 2011

“COM QUE SE PODE JOGAR”



Luci Collin, uma das melhores escritoras da atualidade, leva-nos por um labirinto formado por personagens femininas. A miséria está presente em “COM QUE SE PODE JOGAR” (Editora Kafka, 148 p., 2011). Sem dar sermão, Collin consegue fazer uma crítica social profunda.

Na obra aparecem elementos que fazem parte da vida das pessoas: o bingo beneficente da igreja, o filho que vai e não volta, os presentes (xale verde e colônia) que fazem a moça chorar, a maconha, o psicólogo, a adoção, a solidão, ou mais que solidão, o vazio existencial, que está na essência dos personagens. A vida parece empurrá-los como o vento que Ana teme, esse vento “que faz vergar os eucaliptos”, do mesmo jeito que o vento dos acontecimentos açoita as vidas.

A orelha do livro é assinada por Valério Oliveira (um dos heterônimos de Nelson de Oliveira). Ele revela o espírito do livro ao dizer: “Luci Collin moldou essas mulheres para o livre-arbítrio e as soltou no tabuleiro. Agora elas estão sofrendo as consequências”. E é isso mesmo, elas falam e se mexem diante de nossos olhos, imaginamos seus traços e seus gestos. Depois Valério afirma que o livro “tem um enredo claro, sólido”. É interessante como podemos fazer leituras tão diferentes da mesma obra, porque serei honesta, eu achei o romance de Collin muito sólido, mas de fundo tão escuro quanto a caverna de Platão.

“COM QUE SE PODE JOGAR” não é um livro de fácil interpretação, não tem frases piegas, nem foi elaborado para enfeitar a caverna em que vivemos. Pessoalmente, senti medo de perder alguma palavra, de não reparar em alguma ideia, de passar por alto de alguma sutileza. A sensação é que Luci Collin nos lança na escuridão. Esse livro é quase um prolongamento de arranhões sobre a cera da falsidade contemporânea. É completamente escuro. É um livro de angústias e solidões. Tenta claramente rebater a beleza do mundo contemporâneo – um mundo de falsos encantamentos.

Um verso do poema “Partículas & parâmetros da investigação particular” de Valério Oliveira diz: “Tudo é falso, tudo é cafona e azul”. E vivemos nesse mundo virtual, glamoroso, tudo azul. E nem sempre estamos dispostos a olhar a realidade. Talvez por isso o livro de Luci Collin convoca e provoca. Convoca nosso espírito e nos provoca a olhar para além das miragens.

O livro está dividido em três partes, cada uma tem o nome de uma mulher: a primeira parte é dedicada à Ana, a segunda, à Melanta e a terceira, à Lena.
Ana não acredita na Justiça. Ela pergunta: “que tamanho eu tenho quando sinto que não caibo nesse quarto nem no meu corpo” (p. 43). Nessas palavras talvez Luci Collin encontrou o tamanho da subjetividade humana. Ela não cabe em nossa sociedade. E a personagem continua: “Que imenso eu meço em centímetros ordinários”. Mostrando como o ser humano é medido. Seres humanos parecem mercadorias, são divididos em classe A, B, C, D. O dinheiro é o único elemento alquímico universalmente reconhecido na atualidade. E a personagem continua: “Eu tão somente tão igual número qualquer nenhum nem sei qualquer um”. Revelando o que somos: números. Fazemos parte de estatísticas.

Na segunda parte Melanta sela com uma frase a indiferença e o desamor quotidianos ao dizer de Abel: “Olhe para ele. Só aquilo ali, só aquela criatura sem sorte é que meu irmão conseguiu ser na vida” (p.67). O fracasso e o desamor carcomem a vida das personagens, como carcomem a sociedade contemporânea.

Na terceira parte, Lena, Maria Helena Vignoli Munhoz, 25 anos, tem seu passado revelado: “Minha mãe coisa nenhuma – é só uma ricaça que me comprou. É, comprou, foi lá, escolheu um bebezinho bem subnutrido, o pior de todos, o mais fudido, e deu um dinheiro e me levou” (p.99).

As três mulheres são sacudidas pelo vento, esse “vento que faz vergar os eucaliptos”. Elas estão unidas por um fio invisível e por um nome. Esse fio só é revelado no último capítulo.

“COM QUE SE PODE JOGAR” açoita ao leitor. Quase uma ventania. Um livro de composição muito bela. Vale a pena conferir.



“COM QUE SE PODE JOGAR” (fragmento – p.23)
“Nesse silêncio vi as perguntas formando fila e calmamente apanhando as ferramentas de corte. E no silêncio compreendi a esfoladura a escavação o esmerilhamento. Eu percebi que uns saem ilesos — lhes é permitido desconhecer as agruras da esfoliação e igualmente a pressão irreversível do torno. Também percebi que outros — esses todos nós que não seremos poupados — terão que aguardar pelas respostas. Achando injusto, a princípio, e depois cedendo, e depois aceitando, assumindo a condição de ser em segundo plano. Nesse silêncio pude entender a espera, ou pelo menos tentei me aproximar de uma definição.”

Resenha de Isabel Furini, publicada no ICNews.

domingo, 18 de dezembro de 2011

CIBERCULTURA, de Pierre Lévy





Você acha que se comunicar é transmitir ou receber uma mensagem? Para o filósofo Pierre Lévy, comunicar-se é muito mais do que isso. Comunicar é partilhar o sentido. Um contexto comum, uma cultura, uma história, uma experiência. Comunicar não é só transmitir uma mensagem. Comunicação é alguma coisa que se constrói.

Em seu livro “Cibercultura” (editora 34, 272 p., 2010), Lévy chama a atenção para o fato de que hoje, no “ciberespaço”, dezenas de milhares de comunidades virtuais comunicam os seus conhecimentos. Estamos vivendo na “cibercultura”, compartilhando um novo espaço mundial, pois a base da sociabilidade não é mais territorial e isso pode ser visto em atitudes simples. Você sobe no elevador e seu vizinho prefere olhar o teto a não ter que dizer “bom dia”. Uma pessoa pode se sentir mais próxima dos membros de sua comunidade virtual do que de seu vizinho do bairro.

A palavra “ciberespaço” foi inventada em 1984 por William Gibson em seu romance de ficção científica “Neuromancer”. Lévy define o ciberespaço como o espaço criado pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. Uma das primeiras funções do ciberespaço é o acesso a distância aos diversos recursos de um computador. Por exemplo, com um pequeno computador pessoal é possível conectar-se a um enorme computador situado a milhares de quilômetros.

Esse “ciberespaço” gera uma “cibercultura”. A internet permite a troca de mensagens, e-mail, conferências eletrônicas, cursos, comunidades virtuais.

Lévy usa uma metáfora. Uma comunidade é como uma árvore, e a árvore mostra o conjunto de conhecimentos dessa coletividade. É um mapa dinâmico. Uma coletividade aparece como um espaço de conhecimento. Dentro dele, as pessoas se perguntam: Onde estou nessa árvore de conhecimento? O que posso ensinar? O que podem ensinar-me? No livro o autor esclarece: “A organização do saber expressa por uma árvore é fixada para sempre: ela reflete a experiência coletiva de um grupo humano e vai, portanto, evoluir com essa experiência”.

Os livros de Lévy se caracterizam pela profundidade da abordagem. É preciso mergulhar fundo para entender a abrangência dos conceitos desse filósofo que fez doutorado na Sorbonne, França, e trabalha como titular da cadeira de pesquisa em Inteligência Coletiva numa universidade do Canadá. Seu livro “Cibercultura” não é de fácil compreensão, mas é um prato cheio para quem quiser entender um pouco mais das transformações que o mundo está vivendo. Especialmente como essas transformações nos atingem de maneira individual e coletiva.
Vale a pena conferir!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Entrevistado: Márcio Kieller


Márcio Kieller é cientista social com mestrado em Sociologia Política de formação, bancário de profissão e dirigente sindical. Márcio é um dos autores de “Velhos vermelhos” Adriano Codato e Marcio Kieller (Orgs) Editora da UFPR – Série: PesquisaSociologia, História e Biografia.

Os homens antigos gostavam de reunir-se ao redor do fogo e contar e escutar histórias, mas qual é o papel da literatura na sociedade atual?

A cada dia que passa a literatura tem sido deixada de lado principalmente por nossos jovens. A sociedade atual é muito mais a sociedade do visual do que a da construção social através de referências históricas e literárias. E isso tem feito com que jovens tenham contato com os clássicos da nossa literatura de forma adaptada. A cada dia que passa existe estatísticas que nos demonstram que as pessoas lêem menos. Porém, com o advento da informática elas têm mais contato com informações, mesmo que informações fragmentadas. Como havia dito acima o contato da nossa juventude com informações e com os fatos atuais é de forma muito mais visual. E podemos ver essa comparação se colocarmos lado a lado um site que indicações de livros, literatura e bibliografias. E outro que coloque vídeos e músicas, qual dos dois será mais acessado. Porém, acredito que as sociedades não podem abrir mão de investir em no incentivo a leitura e principalmente que nossos jovens conheçam os nossos clássicos da literatura. Não podemos deixar que nossos filhos, que nossos jovens passem para a fase adulta sem que tenha contato com livros clássicos como o Pequeno Príncipe, Romeu e Julieta, As viagens de Gulliver, além dos nosso clássicos infanto-juvenis como Monteiro Lobato ou mesmo Jorge Amado. Ou seja, mesmo que seja feita através de outras abordagem a literatura ainda cumpre um papel importante na formação de um cidadão mais pleno e consciente.



2. O escritor Castello fala que Dom Quixote ficou louco lendo livros de cavalheiros e Madame Bovary sonhava com os livros cor de rosa. A literatura pode mudar uma sociedade, suas idéias, seus gostos?

A literatura, é um dos pilares fundamentais de uma sociedade desenvolvida, faz com que pensemos e principalmente que tenhamos noções de organização e costumes antigos, de como se organizavam as sociedades e como era o comportamento das pessoas. Mas além de nos dar essas noções nos trazem as experiências por quais personagens e povos passaram as dificuldades que enfrentaram e conhecer como viveram os nossos antepassados. A literatura é uma fonte que não seca de acumulo de conhecimento e cultura. É dever de todo cidadão e bem levar para todos os benefícios da cultura. Através do incentivo da leitura de clássicos da nossa literatura. Só assim teremos uma sociedade melhor para nossas futuras gerações.


3. Porque os livros de vampiros estão vendendo muito entre adolescentes?

Os livros voltados para o público adolescentes têm voltado a vender muito. Por causa da abordagem literária que as novas edições estão para a edição dos clássicos, outro elemento importante para que esses livros vendam bastante é que muitas vezes são lançados no cinema antes de ganharem as prateleiras das livrarias. Esse marketing faz com esses temas vendam muito, e nesse meio estão os livros de vampiro, mas não é exclusivo deles, pois vejam os sucessos de venda que são os livros do Harry Potter, ou a trilogia de as Crônicas de Nârnia, dentre outros. Mas o fato é que esses livros têm alavancado as vendas de muitas editoras no mundo todo.

4. Para o escritor Vargas Llosa em épocas tumultuadas as pessoas deixam de ler poesia e preferem ler romances. Você está de acordo com essa afirmação?
Infelizmente concordo, mas vou além, pois o problema é mais grave, por que as pessoas têm deixado não só de ler poesias. Mas os romances também, pois senão existe um bom marketing sobre a obra lançada por melhor que ela seja ela é pouco lida. E isso se deve muito a Internet. Pois nos dias de hoje você tem o ritmo de leitura diminuído por que aumenta o tempo que se passa em frente ao computador, isso é ruim para as futuras gerações por que não lêem e isso faz com que tenham menos condições de compreensão e interpretação. O que é muito caro para as pessoas nos dias de hoje. Então, quiçá tivéssemos apenas a troca da poesia pelos romances. Mas nos dias de hoje as pessoas estão trocando a leitura de forma sistemática pela leitura pequena, dos e-mails e bate papos virtuais.
Quais são seus livros e autores preferidos.

5. Meus livros preferidos são os clássicos da ciência política. Muitos deles são de ode da sociologia e da filosofia. Os bons livros de Marx, Engels, Lênin. Os Clássicos do contratualismo do sec. XVI, Hobbes, Locke, Rousseau. E para os momentos de lazer gosto muito da literatura brasileira de Jorge Amado. Mas meu livro preferido é o romance de Não verás País Nenhum de Ignácio Loyola Brandão, Mas gosto também dos romances de Marcelo Rubens Paiva, como Feliz Ano Velho e Blecaute. Além dos livros de Rubens Fonseca dos quais eu cito A Grande Arte. Acredito que a literatura brasileira é muito produtiva e tem bons autores, pena que o ritmo da leitura decresce a cada dia, não só país, mas em todo mundo.

Entrevista publicada no meu Blog Falando de Literatura do Bonde News.

sábado, 10 de dezembro de 2011

CONCEITOS - POESIA E POEMA

POESIA E POEMAS

Poesia é quase um sinônimo de beleza, de estética.
O céu azul é lindo, podemos dizer que é poético.
Uma flor é bela, afirmamos que uma flor é poesia.

Poesia é beleza, encantamento estético. Pode expressar-se de diferentes formas

POEMA?
Poema é a poesia transformada em verso.
A poesia se transforma em poema quando alguém escrever versos – transforma emoção, arrobamento, de beleza ou encantamento estético em versos.

VERSOS?

Cada linha de um poema é um verso. Por exemplo: uma trova é composta por quatro versos.
Podem ser versos pequeninos ou gigantes. O autor tem “licença poética” para expressar suas
emoções, seus sentimentos, sua forma de ver o mundo.

Veja poema pequenino:

Tufão na floresta
entre as árvores tombadas
os pássaros mortos. (Isabel Furini)

E um poema longo:
MALABARISTAS

Objetos desenham formas curvilíneas no ar infectado de mosquitos.

Não muito longe, o pantanal aflito
Grita por socorro no fechado nevoeiro.
Ninguém escuta! Há música e cervejinha
e há risos e mais música e mais cerveja.

A vida se transformou em pantomima.
A morte os surpreende de fininho...
A vida é diversão que se prolonga...
ninguém se atreve a discordar da maioria .
Recriação da caverna de Platão,
circo romano
e televisão são alegria.

E alguém escreve: A Idade Média voltou... ou nunca foi extinta?
Os senhores feudais são chamados empresários,
mas tem as mesmas mordomias.

Hipótese descartada.
Monografias exigem citações
só doutores tem direito ao pensamento,
o povo é considerado burro (A Terra
é um lugar onde os clones clonam seres clonados).

E o circo continua com poucas variações.

O intruso da monografia está enclausurado,
os manicômios estão repletos de poetas,
filósofos, livre-pensadores e outros bichos cavernícolas.

A sociedade aplaude tecno escravos (aptos e bem equilibrados).

Globalização exige competência – com alto grau de astúcia.
É preciso esmagar a concorrência!
Moradores do Terceiro Milênio, viciados em Internet e em fast food.
escravos da alta tecnologia – tecno escravos,
números que nascem e morrem ao acaso.
Formatados pelo sistema, fingem ser felizes no espaço
reduzido de uma tela em branco.

Malabaristas em um mundo escravizado.

Jogam novamente os bastões no ar e o circo continua...
(Poema de Isabel Furini)

ESTROFE

Estrofe é um conjunto de versos. Um poema pode ter uma ou várias estrofes. As estrofes de um poema são separadas por uma linha em branco.

Segundo o número de versos (linhas) as estrofes recebem um nome:
Estrofe de um verso

Dois versos: dístico.

Três versos: terceto.

Quatro versos: quadra ou quarteto.

Cinco versos: quinteto ou quintilha.

Seis versos: sexteto ou sextilha.

Sete versos: sétima ou septilha.

Oito versos: oitava.

Nove versos: novena ou nona.

Dez versos: décima.

Assim quando lemos que um soneto é composto de duas quadras e dois tercetos, sabemos que são 4 estrofes: a primeira e a segunda estrofes de quatro versos cada uma, e a terceira e a quarta de três versos cada uma.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PLÍNIO MARTINS DA ATELIÊ EDITORIAL


Plínio Martins

Nosso entrevistado é Plinio Martins, dono da Ateliê Editorial, diretor presidente da Edusp e professor assistente da ECA. Psicólogo, mestre em ciências da comunicação e doutor na categoria especialista em editoração também pela ECA. Ele tem trinta anos de experiência no mercado editorial.

Os escritores iniciantes têm interesse de conhecer o trabalho dos editores, critério de avaliação das obras recebidas, como funciona o conselho editorial, enfim, iniciantes querem saber quais são os quesitos para terem mais chances de publicar suas obras.


1. Partindo de uma boa seleção dos originais, a Ateliê editorial conseguiu prestígio no mercado editorial. Qual é o critério de avaliação das obras?
Os critérios de avaliação podem variar bastante, dependendo se a obra for ficção, poesia, ensaio etc. Como regra geral, avaliamos o conteúdo do texto e, se a obra for interessante – seja qual for a razão –, a possibilidade de encaixá-la em nosso cronograma de publicação.


2. Algumas editoras têm livros que chamam de “carros chefes”, pois impulsionam as vendas. Ateliê Editorial também aposta nesses livros?
Certamente editoras precisam ter em seus catálogos títulos que vendam mais do que a média, para compensar outros com menor vendagem. Nesse sentido, procuramos investir em edições bem cuidadas de clássicos literários, sem deixar de lançar novos autores. O critério principal para publicar um livro não pode ser se ele vai vender muito ou não.


3. Alguns falam que poesia tem mais autores que leitores; e Ateliê Editorial também edita poesia. Qual é a resposta dos leitores? É verdade que livro de poesia tem tendência a ficar encalhado nas prateleiras das livrarias?
Não concordamos com esse raciocínio, pois todo livro tem seu público. De fato, hoje em dia qualquer livro corre o risco de ficar “encalhado” se não encontrar seus leitores (ou o contrário: seus leitores não encontrá-lo), dada a quantidade de títulos lançados anualmente e a cultura de leitura pouco desenvolvida em nosso país. Ou seja, esse é um problema que não se restringe à poesia especificamente.



4. Como funciona O Conselho Editorial?
Nosso conselho é composto por colaboradores de confiança que avaliam os originais que recebemos. Com base no parecer deles, decidimos se o livro será publicado ou não. Nossos colaboradores também podem nos indicar obras que julguem importantes que mereçam ser publicados. Não adotamos uma estrutura rígida para a avaliação dos livros.


5. Vocês ficam atentos aos erros ortográficos? Um bom livro pode ser rejeitado por esse tipo de erros?
O cuidado não deve se restringir apenas à ortografia, mas também à gramática e à sintaxe. Mas nenhum livro é rejeitado especificamente por seus erros ortográficos. Qualquer livro que vá ser publicado pela Ateliê Editorial passará por revisão, independente de quem seja o autor. Vale notar, no entanto, que só é possível considerar um livro bom se ele tiver um texto bem escrito. É fundamental que o leitor consiga entender o que o autor quer comunicar – e isso só é possível com um texto bem escrito.

6. Que conselho daria aos escritores iniciantes?
Leia. Leia muito. Quanto mais uma pessoa lê, melhor ela domina sua linguagem e torna-se capaz de transmitir melhor suas próprias idéias. É importante também ter cuidado ao analisar sua própria produção criticamente. Vale a pena pedir opinião de terceiros ou até mesmo um parecer de outros autores que já tenham publicado obras similares.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Entrevistados da Revista ZK 2.0 da Espanha




Os autores do livro de contos "Passageiros do Espelho" foram entrevistados pela editora da revista ZK 2.0, de Galícia, Espanha.

Ver entrevista completa no site:

http://www.zonakeidell.com/zk24/paginas/passageiros/

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ANILINA, ZIGUEZAGUE E DÉSIRÉE (Resenha)




Lançado neste ano, o livro de João Paulo Hergesel chama a atenção, pois se trata do primeiro livro de um jovem (nasceu em 1992) que estuda Letras na Universidade de Sorocaba, escreve livros e colabora com jornais de sua região.
No prefácio, o escritor Alexandre de Castro Gomes conta que foi jurado no 6º Desafio dos Escritores, promovido pelo Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara dos Deputados de Brasília, e Joaninha (João Paulo) destacou-se desde o primeiro momento pela criatividade e humor.

Os contos de Anilina, Ziguezague e Désirée (Editora Patuá, 2011) caracterizam-se pela agilidade da narrativa. João Paulo conta suas histórias com objetividade. Surgem personagens que despertam a atenção do leitor. A primeira pessoa do singular empresta aos contos a sensação de intimidade. Como no conto “Ted”, em que o personagem inicia dizendo: “Em meu estágio de normalidade, sou um cara notavelmente esquisito, a começar pelo nome: Thomas Edison”.

Já “A cor de meus olhos” aproxima-se muito da crônica – um gênero irmão do conto, e que muitas vezes se unem. Nesse e em outros contos do livro, João Paulo narra com humor pequenos acontecimentos que preenchem a vida das pessoas. Os diálogos são sintéticos e ajudam a dar ritmo às histórias.
Vejamos o início do conto “Verano”: “Para minha surpresa quando voltei da escola, o gato já estava lá. Chegou do nada, assim, sem avisar, como chuva de verão. Era filhote ainda, todo preto, apenas o focinho branco - de leite. Nunca havia tido um animalzinho de estimação, mas soube logo no primeiro contato visual que aquele gato de rua cumpriria fielmente com o papel”.

Com o livro Anilina, Ziguezague e Désirée, vemos surgir um novo autor com um futuro interessante.

ENTREVISTADO: João Paulo Hergesel
Interessados na dedicação de um jovem estudante de Letras, decidimos entrevistá-lo para conhecer um pouco de sua maneira de pensar. Isso pode nos ajudar a entender o ponto de vista dos novos autores
1) Quando surgiu o desejo de ser escritor?

Desde criança, sempre gostei muito de viver a minha própria fantasia, inventando histórias e personagens que apenas eu tinha contato; era como uma válvula de escape para minha realidade infantil. Aos 9 anos, decidi começar a colocar isso no papel, então passei a escrever versinhos simples, de rimas fáceis (melão com violão, gato com rato) e foi nessa época que ganhei meu primeiro concurso literário. Mesmo assim, tinha muita vergonha de mostrar às pessoas o que eu escrevia. Apenas aos 15 anos que decidi sair da minha bolha literária e falei "quero ser escritor!", então resolvi apresentar minhas criações ao mundo. A internet ajudou bastante.

2) Quais são seus livros preferidos?

Pode até parecer loucura, mas, mesmo sendo graduando em Letras e estando em contato com inúmeros clássicos da literatura, ainda sustento uma paixão infindável com a literatura infanto-juvenil. Assim, meus livros preferidos são os desse gênero, em especial os da Lygia Bojunga, que, na minha opinião, é a melhor escritora infanto-juvenil contemporânea. O livro dela que mais acho genial é Seis vezes Lucas. Outros livros que permanecerão eternos na memória são O Coração às Vezes Para de Bater, de Adriana Lisboa, e Coração de Vidro, de José Mauro de Vasconcelos (este, um dos primeiros apresentados a mim). Mas o livro responsável por me fazer escolher pela área e despertar meu gosto em escrever para jovens, com certeza, foi Poderosa, de Sérgio Klein.

3) Como surgiu a ideia para o livro Anilina, Ziguezague e Désirée?

Anilina, Ziguezague e Désirée, na verdade, é uma reunião de contos que escrevi desde meus 15 anos até agora. A ideia dessa coletânea surgiu quando descobri que a Editora Patuá estava selecionando originais para publicação. Juntei o que tinha, transformei em algo único e enviei. Para minha surpresa, minha doce loucura literária agradou os editores.

4) O livro é recomendável para adolescentes? Qual é o seu público-alvo?
O livro foi feito para adolescentes, com contos que visam agradar os leitores a partir de 12 anos, acredito. Alguns trazem uma linguagem mais leve, podendo ser compreendida até mesmo por mais jovens. Mas o ideal mesmo é que a obra seja aproveitada pelos estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio.

5) Qual é sua relação com os leitores? Eles acham interessante ou acham ruim ler livros de um escritor tão jovem?

Não vejo problemas com relação à minha idade. Na verdade, o público se surpreende e, aí sim, quer ler. (risos!) Acredito que, por eu estar nessa transição de adolescência e fase adulta, tenha uma visão boa do que os adolescentes pensam e acabo aproveitando isso para transformar em história. No fundo, acho que escrevo o que eu gostaria de ler e, assim, acabo conquistando os jovens leitores.

6) Fale um pouco de seus novos projetos.

A princípio, continuo escrevendo para jornais locais e "alimentando" meus blogs, em especial o Joaninha Platinada, dedicado à literatura infanto-juvenil. Além disso, continuo participando de oficinas e concursos literários, fazendo palestras esporadicamente e ficando à disposição da minha criatividade. Não sou eu que planejo minhas empreitadas literárias, é ela!

domingo, 20 de novembro de 2011

Sobre Ribamar, de José Castello, por Zeny Belmonte



O jornalista, crítico literário e escritor José Castello é um dos nomes mais conhecidos e respeitados no meio literário brasileiro. Seu último livro Ribamar, vencedor na categoria romance da 53ª edição do prêmio Jabuti, vem confirmar tudo o que já se sabe sobre a solidez da sua trajetória profissional, sobre a paixão que nutre pelas letras desde que se conhece por gente.

A luta pela sobrevivência no início da carreira não lhe deixava tempo para mostrar o seu talento como escritor, ainda mais num país como o nosso, onde poucos sobrevivem exclusivamente desse ofício. Enquanto a disponibilidade não vinha, Castello não se limitou a acumular apenas experiência profissional, enriquecendo-se também como pessoa ao cultivar amigos intelectuais arredios como Ferreira Gulart, dentre outros.

Para quem o conhece, é difícil separar o José personagem do José autor, já que ambos possuem certas características semelhantes, como a capacidade de enxergar as pessoas por dentro, ver e sentir coisas que ninguém mais percebe.

Ao ler Ribamar ocorreu-me uma questão levantada durante um dos tantos encontros literários que frequentei. Do que você quer falar quando se propõe a escrever um livro de ficção? A resposta a essa pergunta ficou muito clara depois de ler essa obra. Eu não lembro de ter tido algum problema de relacionamento com meu pai. Ao contrário, havia uma grande cumplicidade entre nós e bastava um olhar para que um lesse o pensamento do outro. Por que então, fiquei perturbada como se meu interior tivesse sido remexido trazendo à tona experiências e sentimentos que não foram por mim vivenciados?

A grande pegada de Ribamar está no personagem José que, falando na primeira pessoa, faz do leitor um confidente, um cúmplice. Confia-lhe sem restrições mas ao mesmo tempo sem exageros, com elegância, sentimentos inconfessáveis como a repulsa, a não aceitação da decadência física da velhice numa pessoa tão próxima como o pai. Outro tema abordado com propriedade por José Castello em Ribamar, é a incomunicabilidade do amor entre pai e filho, o mesmo de Franz Kafka em Carta ao Pai, livro amplamente citado na obra. Mas as semelhanças acabam por aí. Castello não pega nada emprestado de ninguém, nem se apropria de nada que não seja seu. Ele tem uma linguagem própria, uma voz interior só sua ao partir de experiências pessoais para escrever ficção. Não é à toa que o título do livro seja o mesmo nome do seu pai na vida real e que o personagem principal se chame José, assim como ele. Coincidências à parte, não se trata de um livro de memórias segundo o autor. O título é a forma que encontrou para homenagear a memória paterna.

Em Ribamar, José tenta se livrar da sombra do pai que o incomoda mesmo depois de morto. Ele decide então, fazer uma viagem em busca das raízes desse homem de personalidade forte que não o compreendia, mas que certamente o amava a sua maneira.

A decepção por não encontrar quase nada a seu respeito leva o leitor a se perguntar se Ribamar teria sido tudo aquilo mesmo ou seria apenas o retrato carregado feito sob a ótica de uma criança sensível e introspectiva como José.

Candidatos a escritores podem tirar de Ribamar preciosos ensinamentos. Como aprofundar de um personagem é um deles, a ponto do leitor se identificar com um José humano, gente com a gente. Ao atingir esse nível de interação o autor laça o leitor que se sente compelido a acompanhar o desenrolar da trama do começo ao fim, a caminhar junto com o personagem José na busca das raízes de Ribamar, que no fundo representaria a sua libertação dos fantasmas da infância que ainda o perseguem mesmo depois de adulto.

Ao ler Ribamar, sente-se toda a experiência do autor que trata de assuntos diferentes nos vários capítulos, sem que o livro pareça uma colcha de retalhos soltos ou mal alinhavados. Num trabalho paciente de artesão, Castello valeu-se da partitura da canção de ninar Cala Boca que seu pai costumava cantar para ele quando criança de colo, e que ele resgata ao ouvir a mãe cantar num dos muitos encontros recentes entre os dois, surgindo-lhe daí a idéia de usá-la como elemento de ligação entre os capítulos.

Com a humildade e o cuidado de um iniciante, Castello aguardou quatro anos para publicar o livro, fazendo-o somente quando julgou que estivesse pronto numa demonstração de que ninguém nasce escritor. Trabalho, dedicação e persistência são qualidades importantes para o êxito de quem busca o tão sonhado reconhecimento nesse oficio, e que nesse caso veio a passos lentos porem sólidos de um Jabuti.

Zeny Belmonte é jornalista e escritora, ganhou o Prêmio Talentos da Maturidade (Literatura), em 2009.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

2º CONCURSO INTERNACIONAL “POETIZAR EL MUNDO”

Modalidad: Poesía Minimalista.
Idioma: Castellano.

La escritora Isabel Furini, organizadora del Concurso Poetizar el Mundo, invita a participar en el concurso de poesía Minimalista (poemas con máximo de 5 líneas).

1) El Concurso de Poesía Poetizar el Mundo tiene como objetivo estimular la producción literaria y está destinado a todas las personas mayores de 18 años, de cualquier nacionalidad, que vivan en cualquier lugar del mundo y que presenten su trabajo escrito en español.

2) El tema es libre y la inscripción es gratuita. La fecha de cierre del certamen es el 20 de marzo de 2012.

3) Cada participante podrá presentar solo un trabajo de poesía “mini”, en esta oportunidad, hasta 5 versos (líneas), inédito (que nunca haya sido impreso en papel, ni publicado en Internet, ni premiado en otro concurso).

4) Se considerarán inscriptas las obras enviadas al Segundo Concurso Internacional al e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Las mismas serán escritas en el cuerpo del e-mail, o sea en el lugar en el cual se escriben los mensajes, sin archivos anexos. Los poemas enviados en archivos anexos quedarán automáticamente fuera del concurso.

5) El poema debe estar escrito en lengua castellana, con título, digitado con espacio simple, fuente Arial, tamaño 12 (doce).

6) Deberá constar al final: nombre completo del autor, su dirección (incluyendo ciudad y país), e-mail, teléfono y en 4 o 5 líneas, su currículum.

7) La comisión será compuesta por Graciela Diana Pucci, poeta,escritora y editora de Literarte, revista de literatura y arte (http://www.revistaliterartedigital.blogspot.com/) , por la poetisa Rosakebia Liliana Estela Mendoza, de Chiclayo, Perú (ganadora el primer concurso) y por Jorge Oscar Furini, poeta y psicólogo social, también de Argentina.

8) Premios: el primer lugar recibirá una medalla simbólica con su nombre grabado, y diploma. El segundo y el tercer lugar, recibirán diplomas. Podrán ser escogidas dos Menciones de Honor, que también recibirán diplomas.

9) El resultado del concurso será divulgado en sites literarios de Internet y en el blog: http://www.isabelfurini.blogspot.com/

10) El resultado será divulgado el 25 de abril de 2012. En esa ocasión también será homenajeado con una placa conmemorativa, el poeta brasileño Claudio Daniel, autor de “Figuras Metálicas” (Perspectiva, colección Signos, 2005), quien realizó un excelente trabajo divulgando la poesía de América Latina en el libro “ Jardim de Camaleões, a poesia Neobarroca na América Latina”, publicada por la editora Iluminaras, São Paulo, Brasil.

11º) La participación de las obras se formalizará según lo previsto en este reglamento, lo que implica la aceptación de las disposiciones en él designadas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ganhadores 3º Concurso Internacional Poetizar o Mundo

3º CONCURSO POETIZAR O MUNDO

Recebemos 147 trabalhos.
Agrademos a participação dos poetas e em fevereiro do próximo ano lançaremos o 4º Concurso Poetizar o Mundo, novamente com a modalidade minimalista.


1º Lugar: SILÊNCIO?

Nunca me calo,
nem mesmo de boca selada: a voz fala-se de dentro.
O silêncio
- de boca muda e ouvidos surdos –
é utopia!
Cláudia Vanessa Cipriano Martins - São Miguel – Açores - Portugal


2º Lugar: QUADRA MODERNISTA

Queria ser eu
E não alguém
Queria ser tudo
Mas sou ninguém

Alexsander Pontes – Curitiba.PR
É formado em letras, e sua paixão é a poesia.


3º Lugar: BOEMIA


Fiz, vi, mexi com a magia do mundo
e descobri o que tinha de mais profundo:
o bom e velho amor deste coração moribundo
Fandangueiro e trépido, desisti da boemia
Fagueiro e lépido, voltei firme à poesia!

Julia Souza da Silva – São José, Santa Catarina.
Trabalha em Marketing Cultural.


MENÇÃO HONROSA

UM CASO INCENDIÁRIO

QUIS USAR-ME
DE LENHA
E O FIZ
CINZAS

Rosana Banharoli – Santo André, São Paulo.
É poeta premiada em vários concursos. Em 2010, venceu o concurso de poesia da editora da UFF.

MENÇÃO HONROSA: ESTALINHOS

Todos os dias um mar de palavras
morrem no céu da minha boca
outras tantas se salvam
Libertas ao vento
fazem estalinhos nos seus ouvidos!!!!

Perpétua Amorim – Franca, São Paulo. Poeta premiada, participou de várias antologias.


MENÇÃO HONROSA : A ÁRVORE DA VIDA

A árvore é a casa
O seio de cada regresso
A fonte de inúmeras vidas
A sombra ao sol que queima
A afago do aconchego

António MR Martins Ansião, Portugal. Poeta premiado, já publicou quatro livros: Ser Poeta” e “Quase do Feminino” (2009), “Foz Sentida” (2010) e “Águas de Ternura” (2011).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Jurados 3º Concurso Poetizar o Mundo em português






Maria Edna Holler de Oliveira é empresária, reside desde os dez anos de idade em Curitiba, Estado do Paraná. Casou-se na adolescência, tem três filhos, ficou viúva aos trinta e nove anos, concluiu o ensino médio em 1999. Participou do curso Oficina do Livro no Solar do Rosário e do curso de poesias no Centro Filosófico Delfos. Participou ainda da Antologia "Retratos de Mãe" do Clube Amigos das Letras, com o poema "Plenas Graças". Publicou os livros de poemas "Alma Serena" e "Alvorecer da Poesia".

"Alvorecer da Poesia" é uma obra com palavras que nos transportam a um mundo repleto de possibilidades, adquirem especial significado e suavizam a aridez dos caminhos que percorremos, despertando em nossa alma virtudes e as mais diversas emoções. A poesia é sopro de anjo que cai e transforma as palavras, multiplicando-as em luz e revelando as várias faces do amor.

Alvaro Posselt é professor, poeta e contista. Foi premiado em vários concursos, entre eles: no 2º ENCONTRO REGIONAL DO HAICAI em 18/10/2008, realizado pelo Grêmio Haicai Chão dos Pinheirais e no concurso de minicontos da Biblioteca de Piracicaba, 2011.




segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Resultado del 1º Concurso Internacional Poetizar el Mundo

Fueron ganadores del concurso de Poesia en prosa, en español:

1º lugar, Le Sacre du Autumn, de Rosakebia Liliana Estela Mendoza, de Chiclayo, Perú;
2º lugar: Los Segadores, de José Marianao Seral Escario, de Huesca, Aragón, España;
3º lugar. Mario Di Polo Villegas, Caracas, Venezuela;
4º lugar Árboles de mi tierra, de Melva Agudelo de Bueno, Cartago, Colombia;
5º lugar: Sueño remoto, de Patricia Declerk, de Buenos Aires, Argentina.
6º lugar: Réquiem para la noche y un sueño, de Yasmin González León, de la Habana, Cuba.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ENTREVISTADO: ROBERTO GOMES

Roberto Gomes, professor, escritor, crítico literário e editor da Criar Edições é o nosso entrevistado. Ele iniciou sua carreira de escritor com uma obra de filosofia, Crítica da Razão Tupiniquim (1977), hoje na décima terceira edição. Em 2008, publicou Júlia, um romance inspirado na vida da poeta paranaense Júlia da Costa, também escreveu uma peça de teatro, O menino que descobriu o sol.

1) Quantos anos há começou a escrever literatura?
Comecei a escrever muito cedo, aos 16 anos. Já lia bastante, resolvi escrever. Depois de muitas tentativas, escrevi algumas crônicas e comecei a publicar num jornal de Blumenau, onde nasci e onde eu morava.
Continuei escrevendo em jornais, porém só em 1977 publiquei o primeiro livro, Crítica da razão tupiniquim. Mas então já havia publicado contos e crônicas em jornais do Paraná e de São Paulo.


2) A difícil arte de ser urubu é um livro infantil, mas a mensagem pode também ser interessante para adultos. Como surgiu a ideia de escrever essa história?
É uma história bastante universal, imagino. Trata das diferenças, do direito à diferença. E trata também de como cada um de nós precisa aprender a assumir suas diferenças. No caso, a diferença entre um urubu e os cisnes. Procurei inverter a história do cisne. O herói da minha história é o urubu, mas só a partir do momento em que ele se descobre e se assume como urubu. Ser o que nós somos é uma difícil arte.


3) A partir de que idade o livro é recomendável?
Confesso que não sei responder. Nunca escrevi literatura infantil pensando numa faixa etária. Sempre busquei escrever histórias que pudessem agradar a leitores de todas as idades, aí incluídas as crianças.

4) A maioria das pessoas acha que é fácil escrever livros infantis. Para você é uma tarefa fácil ou difícil?
Victor Hugo dizia que, em arte, as coisas ou são fáceis ou são impossíveis. Talvez ele esteja certo. Escrever em geral, para qualquer público, dá trabalho, muito trabalho - até no Eclesiastes, na Bíblia, se diz isso. Escrever para criança talvez seja mais delicado, pois as histórias que elas gostam de ouvir são as mais universais. Eis o que é difícil.

5) Pode dar algum conselho para os novos escritores que desejam escrever obras para o público infantil?
Ler muito. Ler de tudo. Jamais ler apenas um autor, um tipo de livro, um tipo de estilo, etc. Ler de tudo, misturar tudo. Depois escrever com a alma - e revisar com uma severa caneta vermelha... Revisar muitas vezes, reescrever sempre. Quando não for mais possível reescrever, publicar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Conselhos para escritores




Os Dez Mandamentos do Escritor de Ficção, segundo Nancy Kress

1.Escreve regularmente.Se você não tem muito tempo, escreva ao menos cinco minutos por dia.
2. Escreva o tipo de ficção que ama ler.
3. Não espere a inspiração para começar.
4. Escrever é rescrever. Sempre.
5. Escute todas as críticas com a mente bem aberta.
6. Leia tudo o que possa. E más também.
7. Não siga as tendências da moda. Conte as historias que deseje e como deseje.
8. Dedique especial atenção ao primeiro parágrafo. Quem pega primeiro, pega duas vezes.
9. Tente de "converter-te" em seus personagens enquanto escreve.
10. No fique desanimado diante de uma rejeição. Noventa por cento dos escritores melhor sucedidos escutaram  pelo menos una vez  alguém dizer que se dedicaram a outra coisa.


Nancy Kress, ( Nancy Anne Koningisor) nasceu em Buffalo, Nova York, em 1948. Escritora de ciência ficção, começou a escrever em 1976. Mas só obteve êxito a partir de 1990, ano em que ganhou os prêmios Hugo e Nébula, com o romance “Mendigos na Espanha”, 1992.

Recebe os seguintes prêmios:
1986: Prêmio Nébula , obra: Entre tantas estrelas brilhantes .
1992: Prêmios Nébula, Hugoe SF Chronicle, com a obra: Mendigos na Espanha.
1994: Prêmio John W. Campbell Memorial , obra Mendigos na Espanha.

1994: Prêmio SF Chronicle, obra: The Battle of Long Island.
1997: Theodore Sturgeon Memorial, obra: The Flowers of Aulit Prison, e em 1998, o mesmo livro ganhou o Prêmio Nébula.
2003: Prêmio John W. Campbell Memorial, obra: Probability Space.
2008: Prêmio Nébula, obra: Fountain of Age.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Oficina Como escrever crônicas






OFICINA CRÔNICAS

Iniciará em 18 de outubro, as 18:30 horas, com duração de duas semanas, a Oficina “Como Escrever Crônicas”. As melhores crônicas produzidas pelos alunos farão parte de um livro.

Na oficina serão lidas e comentadas crônicas de autores consagrados, além do estúdio da crônica e dos assuntos que merecem uma crônica. A função do cronista. Os segredos do gênero. O ritmo da escrita.

Investimento: R$ 200,00.

A oficina será realizada no Estúdio Teix, Vicente Machado, 666. Batel Soho, fones:
(41)3018-2732 ou 3019-2294.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Como escrever um livro de crônicas


MÓDULO 1.

Serão analisadas as semelhanças e diferenças entre crônica e conto.
Assuntos que merecem uma crônica.
O gênero literário que revela o quotidiano.
A função do cronista.
Os segredos do gênero. O ritmo da escrita.

Duração duas semanas: terças, quintas e sextas-feiras.

Data: 18, 20, 21, 25, 27, 28 de outubro/11.

Horário: 18:30 as 20:30 horas.

Investimento: R$ 200,00.

Serão escolhidas as melhores crônicas para fazer parte de um livro.

A oficina será realizada no Estúdio Teix, Vicente Machado, 666. Curitiba.
e-mail: isabelfurini@hotmail.com

domingo, 25 de setembro de 2011

A LIÇÃO APROVEITADA – Modernismo e Cinema em Mário de Andrade

Quem gosta de cinema não só de assistir a filmes, mas de entender o fascínio que ele exerce sobre algumas cabeças brilhantes, como no caso de Mário de Andrade, vai deleitar-se com a leitura de “A Lição Aproveitada”, (Ateliê, 352 p., 2011), especialmente estudantes e profissionais das áreas de Letras, Cinema e Artes em geral, que desejem entender o início do cinema no Brasil e a influência que exerceu sobre a literatura.

João Manuel dos Santos Cunha, professor na Faculdade de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas, doutor em Literatura Comparada (UFRGS), pós-doutorado em Literatura e Cinema (Sorbonne-Nouvelle, Paris III), realizou uma longa pesquisa que revela o impacto que a narratologia cinematográfica exerceu sobre Mario de Andrade e seus contemporâneos. Mário de Andrade escreveu na revista Klaxon (N. 1, p. 2, maio de 1922): “A cinematografia é a criação artística mais representativa de nossa época. É preciso observar-lhe a lição.”

João Manuel dos Santos Cunha fez uma densa pesquisa e conseguiu organizá-la de maneira que a linguagem e a didática ficaram muito claras e agradáveis para o leitor. Ele segue os passos de Mário de Andrade e mostra também o caminho do cinema desde o seu início. É interessante conhecer a visão que Mário de Andrade foi desenvolvendo numa época em que o cinema era só visual, sem som e arte muda.
No começo dos anos trinta, iniciou-se o cinema falado. A genialidade de Mário de Andrade permitiu-lhe ver a potencialidade da voz narrativa cinematográfica, considerou-a “arte infante”, pois ele entendeu que essa arte se desenvolveria com o tempo.

Em 1915, O Nascimento de uma Nação, (The Birth of a Nation, Griffith, USA, 1915), coloca em cena um personagem que se converteria em símbolo do cinema. Esse personagem é Carlitos, de Charles Chaplin. Esse personagem foi considerado peça chave para a cinematografia avançar como arte narrativa.

Após o impacto da Semana da Arte de 1922, é lançada a revista Klaxon, para refletir sobre arte. Andrade tinha a capacidade de refletir sobre as manifestações culturais de sua época. Entre os modernistas, ele se destaca na produção de crítica cinematográfica, numa época em que essa crítica estava nascendo.

“Como intelectual lúcido que busca refletir sobre as manifestações da cultura de seu tempo, Mário vai abordar o cinema como crítico, a partir de sua experiência como espectador constante nas salas de cinema e como teórico da arte moderna, utilizando o cinema como um referencial, ‘a criação mais representativa’ de sua época.”

O professor João Manuel dos Santos Cunha afirma que aprender uma lição não é repeti-la, mas recriá-la. Carlitos foi um mestre do cinema, e aqueles que o admiravam, como Mário de Andrade, entenderam e recriaram a visão narratologica desse personagem. Mário não era favorável à copia, aos artifícios, mas procurava a vida, o ser do personagem. Para ele, romance e cinema tinham suas próprias vozes.

O autor revela-nos um Mário de Andrade muito humano, um homem com visão de futuro, que entendeu a capacidade do cinema de contar histórias. E esse é também o objetivo do romance, contar uma história, mas romance e cinema têm linguagens, técnicas e meios diferentes.

Mario de Andrade argumentou contra o fato de forçar a “intenção da modernidade em detrimento da observação da realidade”. E a literatura, o cinema, a pintura e a escultura exigem observação do mundo, pois falam da realidade humana.

O livro “A Lição Aproveitada” leva-nos pelo mundo da literatura e do cinema e ajuda-nos a conhecer melhor a visão de Mário de Andrade. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Batepapo de escritoras


Ontem, na Casa da cultura Polônia Brasil, em Curitiba, Adélia Woellner, poeta e escritora, Marilza Conceição, escritora de livors infantis, e eu, convidadas pela artista plástica Márcia Zséliga, falamos um pouco sobre criação literária. Presente, a lembrança de Helena Kolody de quem Adélia foi grande amiga, além de colega da Academia de Letras.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

RESENHA: MINDA-AU


Márcio Renato dos Santos é jornalista e mestre em Estudos Literários pela UFPR, faz parte da equipe do jornal literário Rascunho, fundado em 2001, em Curitiba, pelo jornalista Rogério Pereira.

Conheci Márcio Renato em 2006, quando ministrou uma palestra para a turma da Oficina de criação literária, que oriento no Solar do Rosário. Na época o Márcio havia escrito mais de 600 contos, porém ainda não queria publicá-los. Disse que esperaria até sentir que eles estivessem completamente aprimorados. Essa atitude é muito difícil de encontrar, pois nós escritores somos, geralmente, pessoas muito ansiosas e ainda com o agravante de termos compulsão por publicar. Nesse sentido, Márcio Renato dos Santos revelou uma paciência zen. Atualmente, ele já escreveu mais de 700 contos e decidiu publicar seu primeiro livro. Escolheu 7 trabalhos de seu arsenal, ou seja, 1% dos contos que escreveu, e dessa maneira nasceu a obra Minda-Au (Márcio Renato dos Santos, Ed. Record, 2010, 80 páginas).

O nome Minda-Au evoca um fato de sua vida, era uma criança de um pouco mais de um ano de idade, um dia, gatinhando pela casa, viu um quadro de um dromedário e falou: Minda-Au. Quando recebemos essa informação, o título do livro, a principio estranho, revela o seu valor. O ser humano antes de adquirir a linguagem materna tem sua própria linguagem. “Ninguém entende o que o nenê disse”, desesperam-se as mães. É isso. É a linguagem particular, a torre de Babel que separa os seres humanos. E se todo escritor procura a sua própria linguagem, sua própria voz, nada melhor do que Minda-Au para evocar esse orbe inteligível do eu, onde se misturam lembranças, imagens, sons, emoções, pensamentos, ideias, essa torrente que circula no mundo subjetivo de Márcio Renato dos Santos. Na minha opinião, quando o escritor intitulou Minda-Au ao seu primeiro livro, ele escolheu muito mais do que um título, escolheu ser fiel a si mesmo.

As histórias acontecem em Curitiba, cidade muito carismática, e um pouco desse carisma pula dos contos e apodera-se das retinas dos leitores.
Em “Teletransporte nº 2”, o personagem não sabe se está acordado ou sonhando, enquanto dirige um carro desgovernado. Renato disse que nesse trabalho fez “uma metáfora da própria vida, pois não temos controle sobre nossa trajetória no mundo”. E não temos mesmo! Talvez por isso os gregos imaginavam as Parcas tecendo a vida humana.

"A guitarra de Jerez”, um dos mais belos contos do livro, inicia com uma negação: “Nunca toquei a guitarra que está na sala do meu apartamento. Ninguém mexeu nela. As pessoas que me visitam não tiram os olhos. Músicos desejam manuseá-la. Crianças querem tocar. Não deixo.” (...)

As frases curtas marcam o ritmo, e esse “Não deixo” aguça a curiosidade do leitor. Por que ninguém pode tocar esse belo instrumento?
Márcio Renato dos Santos nos leva por caminhos sinuosos e inesperados. Esse é o primeiro livro de um experiente contista. Vale a pena conferir.

Resenha publicada no ICNews em maio/11.

domingo, 4 de setembro de 2011

Entrevistado Marcelo Mirisola




Você gosta de irreverência? De honestidade? Gosta de esculachar os padrões sociais e literários? Então você precisa conhecer o nosso entrevistado de hoje, o escritor Marcelo Mirisola.

Marcelo nasceu em São Paulo, em 1966, formou-se em direito, e é autor de contos, crônicas e romances politicamente incorretos. Algumas de suas obras: ]Fátima fez os pés para mostrar na choperia(1998).O herói devolvido(2000), Bangalô (2003), Proibidão (2008), Animais em extinção (2008) e outros.

1. Soube de um curso ministrado em São Paulo, cuja proposta é ensinar aos escritores a vestir-se, falar e ter postura de escritores. Para ser escritor é suficiente escrever ou é preciso cultivar uma imagem?...

R. Aposto que eles também ensinam a elaborar planilhas& projetos pra Petrobrás e pra Funarte. Porque, na cabeça dessa gente, o escritor tem que ter um projeto antes de tudo, e também deve fazer muitas pesquisas. Como é que um cara vai escrever um livro sem ter um cronograma, né? Nesse diapasão, os alunos devem aprender a puxar o saco de colunistas sociais disfarçados de críticos literários e aprendem a desfilar de chapéu panamá nas ruas da Flip. O que mais? Imagino que eles aprendem a fazer trocadilhos no tuíter e também deve ter uma matéria que ensina a equilibrar bolas coloridas no focinho e outra matéria que ensina a distrair madames deslumbradas e carentes na Casa do Saber. Pra que escrever, se é mais fácil ficar de quatro e gozar pelo ânus?

2. Susana Vieira (artista global sexagenária, mas sem experiência na área de letras) foi convidada por uma revista para publicar crônicas enquanto bons escritores são ignorados. Na sua opinião o que é mais importante, o nome famoso ou o texto?

R. Pelo menos a Susana Vieira é uma nulidade autêntica. Não precisa ficar fazendo pose de escritora. Sob esse aspecto, ela tem muito a dizer. Ela é uma mulher que freqüenta outras Mercearias São Pedro, entende?

3. É possível que escritores esculhambados pela crítica como Paulo Coelho consigam reconhecimento digamos... no século XXII?

R. Reconhecimento de quem? Do Portugal Telecom? Do Jabuti? Do Daniel Piza? Dos professores da Unicamp? Da revista Bravo!? Paulo Coelho pode ser ruim, pode ser um charlatão. Mesmo assim, ele não precisa dessas merdas. Aliás, nenhum escritor (nem o Paulo Coelho) devia se abalar com prêmios nem com a critica literária brasileira. Essas "instituições" são uma piada. A lógica de funcionamento deles é o fisiologismo, essa gente é podre e comprometida. São fichas sujas. Antes, eu me sentia injustiçado por ter ficado de fora dos prêmios e editais. Hoje, me sinto envergonhado pelo fato de ser escritor no Brasil.

4. Como você vê o futuro da literatura em Curitiba, no Brasil e no mundo?

R. Se Kafka e Borges fossem curitibanos e publicassem hoje, ainda assim, o futuro da literatura de Curitiba seria Paulo Leminski e Dalton Trevisan. Vale a mesma coisa para o estado do Paraná, para o resto do Brasil e para o mundo.

5. Se você fosse abandonado numa ilha deserta, mas tivesse a possibilidade de levar cinco livros com você. Quais seriam esses livros?

R. Tá maluca? Já não bastaria o isolamento natural? Pra que outro isolamento artificial? Não levaria livro nenhum.


sábado, 3 de setembro de 2011

O VENDEDOR DE LIVROS


Milton Assumpção é conhecido no mercado nacional e internacional de livros como um dos mais importantes experts em marketing. Sua obra “O Vendedor de Livros (M. Books, 178 p., 2011) é útil para os profissionais do livro, seja para novos escritores que querem conhecer a área editorial quanto para vendedores, editores, publicitários e outros.

Na primeira parte, o autor conta com objetividade sua trajetória profissional. Conhecemos o início de sua carreira como executivo internacional da McGraw-Hill no Brasil e em Portugal, a criação de sua própria editora, Makron Books, e a sua venda para a Pearson. Milton tem o espírito do empreendedor e criou uma nova editora, a M. Books. Sua história é contada através dos lançamentos de livros, das séries e linhas editoriais, enfatizando as ações estratégicas de marketing utilizadas com um único objetivo: vender.

Na segunda parte do livro, Milton Assumpção comenta sobre situações de marketing - experiências vividas na prática em sua carreira editorial. Nestes casos, o leitor conhecerá as ferramentas de marketing utilizadas, as estratégias, os objetivos e, principalmente, os resultados reais conquistados. O autor ensina a entender o público alvo e a dar visibilidade a uma obra.
O Vendedor de Livros é definitivamente um texto de marketing com objetivos definidos em vendas. É possível aplicar as ideias desse livro, isso empolga os leitores.

Resenha publicada na coluna Livros de Negócios de Isabel Furini, ICNews.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

OFICINAS DE POESIA


PRIMAVERA DOS MUSEUS
TEMA: MULHERES, MEMÓRIAS, MUSEUS


Sociedade Polono-Brasileira "TADEUSZ KOSCIUSZKO"
Rua Ébano Pereira, 502, Centro - 80410-240 - Curitiba – Paraná[/b]
Consulado Geral da República da Polônia – Gestão Sra. Consul Dorota Barys

PROGRAMAÇÃO em 3 modalidades de eventos:

1. Ciclo de debates – entrada franca.
2.Exposições – abertas ao público para visitação.[/color][b]
3. Oficinas – inscrições abertas. Vagas Limitadas. Materiais inclusos

Dia 17 sábado, das 14:00 às 17:00 Linoleogravura - com Everly Giller

Dia 18 domingo, das 09:00 às 12:00 ilustração para crianças - com Mari Inês Piekas, presença de Contador de Histórias

Dia 20 terça, das 14:00 às 17:00 Cartazes - com Heliana Grudzien

Dia 21 quarta, das 14:00 às 17:00 Poesia e arte na interação entre pais e filhos - com Márcia Széliga

Dia 22 quinta, das 14:00 às 17:00 Poesia e Filosofia para Crianças - oficina de poesia com Isabel Furini.

Dia 23 sexta, das 14:00 às 17:00 Wicinanki, kwiaty z bibuly, a arte em papel - com Cecília Szenkowicz Holtman

OFICINA 7: Dia 24 sábado, das 14:00 às 17:00 Wicinanki, kwiaty z bibuly, a arte em papel - com Cecília Szenkowicz Holtman - segunda parte


Dia 25 domingo, das 09:00 às 12:00 Ilustração para crianças - com Mari Inês Piekas, presença de Contador de Histórias

INSCRIÇÕES ABERTAS pelo telefone (41) 3524-9721 , com Márcia Széliga e pelo e-mail: casaculturapbr@gmail.com

VAGAS LIMITADAS. R$ 45,00 cada oficina.




Trabalho de Márcia Széliga

sábado, 27 de agosto de 2011

Jornal MEMAI aborda terror nuclear



JORNAL MEMAI – Letras e Artes Japonesas lança sua sétima edição, tendo como tema de capa o pesadelo nuclear, que tem atormentado o imaginário japonês desde a 2ª. Guerra Mundial. Godzila, Akira Kurosawa, Masuji Ibuse são algumas obras da ficção japonesa que abordaram o tema.

O jornal também traz a homenagem da França ao Japão, com a instalação da Casa de Chá criada pela designer Charlotte Perriand; entrevista com o escritor Oscar Nakasato, que recebeu o premio Benvirá de Literatura pelo romance Nihonjin; e uma matéria sobre haicai, ilustrada com haicais de imigrantes e pelo o sumi-ê de Lucia Hiratsuka.

O JORNAL MEMAI é publicado trimestralmente e tem distribuição gratuita em Curitiba, Londrina, Maringá e São Paulo. Quem tiver curiosidade em conhecer a versão impressa pode pedir pelo email contato@jornalmemai.com.br.
O site, que está sendo atualizado, traz até a edição 05 do jornal.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Maria Helena neta de Manuel Bandeira

por Isabel Furini

Maria Helena, neta de Manuel Bandeira, teve a gentileza de aceitar ser a nossa entrevistada.

Maria Helena, escritora de fantástico e Ficção Científica, é sobrinha-neta do poeta Manuel Bandeira, neta de seu único irmão homem, Antonio.
Realizamos uma pequena entrevista para conhecer um pouco mais o grande poeta.




1 - Maria Helena, você tem lembranças do grande escritor Manuel Bandeira?

Eu tenho várias lembranças dele, tanto na casa de minha avó, sua cunhada, de quem gostava muito e onde moravam seus dois sobrinhos, meu pai e minha tia que era sua afilhada, quanto mais tarde na casa de meus pais e nas casas dele no Flamengo e em Teresópolis. Estava sempre com aquele riso dentuço e gostava de brincar. Quando eu tinha uns onze anos, sabendo que gostava de enigmas, me deu uma Enciclopédia do Charadista e escreveu uma dedicatória no estilo:
Ama ri ah e lê na bandeira do tio Manuel.

Eu achei o máximo.

Lembro também que, a pedido de mamãe, fez uma dedicatória em versos para um prato de pão de madeira holandês que fora da sua bisavó e tinha um trecho do Padre nosso em francês: "donne nous notre pain quotidien"
Cada dia que nos dás, / Senhor, com o sol que nos traz / Traga-nos o pão e a paz.
Uma obra prima de síntese bem a seu estilo. E está lá, com a letra dele, colada no prato. Mais tarde eu o visitei, já doente, na casa da D.Lurdes com quem passou a morar.

2.Alguma lembrança poética dessa época?

Além do poema para mamãe, meu tio traduziu uma fábula de La Fontaine para eu recitar em pequena e enviou, junto com a tradução batida à máquina, um pequeno poema feito especialmente para mim, que está no Mafuá do Malungo e na nova edição das Meninas e o poeta. É um versinho simples, para ser dito por uma criança e nele homenageia seu pai, meu bisavô:
Sou a única bisneta/ de meu bisavô Bandeira/ que era pessoa discreta/ mansa, desinteresseira/ e era em pessoa a bondade/ que responsabilidade!
Continuo sendo a única bisneta mulher.




3. Como vivia Manuel Bandeira?

Ele vivia de forma simples, de acordo com suas posses de poeta e professor. Também sempre viveu sozinho porque perdeu toda a família próxima em oito anos e era solteirão. Cheguei a visitá-lo com meus pais em Teresópolis onde Bandeira tinha uma casa modesta - gostava muito da serra, morou muito tempo em Petrópolis. Lembro de seu apartamento que dava para o aterro (nessa época ele me deu alguns livros, inclusive de Dostoievski, os primeiros que li desse autor russo). Eram de uma coleção encadernada e as capas eram vermelhas. Seu apartamento era cheio de livros, com muitos quadros e algumas estatuetas. Uma delas está conosco, uma mulher negra, muito bela, de pé, apoiada a um pedestal. Também herdei a cadeira onde durante anos me sentei no computador. E ficou conosco o crucifixo a que se refere num poema, de marfim, redondo, sem o Cristo. Dizem que acompanhou os mortos da família. São lembranças sentimentais, particulares, como o prato de pão e a cesta de metal de carregar peixe (segundo me disseram) muito bonita, toda trabalhada. Era também da Europa e penso que não devia ser muito prática, mas uma obra de arte que mamãe usava como vaso de flores.

4. Depois de tantos anos, qual é a melhor lembrança que você tem dele?

É difícil dizer a melhor, lembro de ter muito orgulho de sua poesia ( eu sempre amei a literatura) e para citar um dia especialmente significativo para mim, foi a apreciação elogiosa que fez de uns trabalhos meus quando começava a pintar ( fui artista plástica anos antes de me dedicar a escrever). Bandeira era excelente crítico do assunto – como foi de música, Amava estas duas artes.
Receber um elogio de tio Manuel foi uma honra e uma alegria. Ele não era pródigo em elogiar, tanto em relação à poesia como à arte em geral. Uma vez me disse que críticas podiam afetar gravemente um artista: uma crítica severa ou injusta podia paralisar e um elogio excessivo ou muito cedo podia estragar uma carreira. Preferia não responder aos muitos desconhecidos que procuravam sua opinião. Por isto me senti tão honrada com sua aprovação dos meus pequenos quadros de papel.

5. Qual é o livro que você mais ama de seu ilustre ancestral?

É difícil escolher um livro como o melhor. Prefiro falar de algumas poesias que me atingem mais: Profundamente, Arte de amar, Momento num Café, Consoada, Estrela da Manhã, Noturno da rua da Lapa, Canção das duas Índias, o Cacto, Boi Morto, Vulgívaga e, claro, Pasárgada. Há muitas outras, mas estas foram as que me lembrei no momento. Tem ainda As cartas de meu avô que, além de bonita, me remete a memórias familiares e a lírica e triste Desencanto da fase inicial: eu faço versos como quem chora/ de desalento/ de desencanto. Ele sofreu muito por ter que abandonar a escola de Arquitetura ainda bem jovem por causa da doença. Mas esta ruptura o transformou no imenso poeta que foi. E mesmo depois de abandonar o lirismo óbvio, Bandeira manteve a musicalidade.

6. Helena, como seu tio Manuel Bandeira influenciou seu caminho de escritora?

Eu imagino que ter um tio poeta famoso possa ter me influenciado inconscientemente, mas eu sempre gostei de poesia, ganhei meu primeiro livro de poemas aos nove anos e decorei inteiro. Era de Olavo Bilac, poemas infantis. Creio que a sombra do meu tio me fez fugir de ser poeta embora sempre tenha escrito Recebi um premio da UBE e a Stella Leonardos que foi do júri ficou feliz ao saber que eu era sobrinha-neta do Bandeira, seu amigo. Preferi fugir das comparações indo para a prosa.

7. Fale um pouco de seus trabalhos, de seus livros e de seus novos projetos.

Eu sou basicamente uma escritora da Net embora já tenha publicado em várias antologias em papel, especialmente Ficção Científica. Tenho alguns livros inéditos esperando vencer minha dificuldade de me expor fora da web. Dois são realistas As Cartas do Alfredo (coração suburbano) que mistura humor e poesia sobre o relacionamento de um casal do subúrbio do Rio e Cigarette Blues, talvez o meu preferido, sobre uma banda esfarrapada de blues que percorre um Brasil indiferente e usa os sucessos deste gênero como tema de cada conto, mantendo os mesmos personagens. E ainda um livro só de contos fantásticos que por enquanto se intitula A Promessa do Tigre e outro de FC O Espreitador do Universo. E dois de poesia que não sei se terei coragem de publicar: Borboleta no Chapéu (o premiado) e Unicórnios no Jardim.





Maria Helena Bandeira tem lembranças preciosas de seu grandioso ancestral, Manuel Bandeira e se você quiser conhecer os trabalhos de Maria Helena pode acessar os blogs:
http://www.ovoazulturquesa.blogspot.com
http://cartasdoalfredo.blogspot.com

domingo, 21 de agosto de 2011

Jorge Xerxes ganhador do 2º Concurso Poetizar o Mundo




Estudou por pouco mais de dez anos na Unicamp.

Mantém o sítio www.jorgexerxes.wordpress.com - “Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou”. Publica também no site Portal Literal

Publicou “As Cinquenta Primeiras Criaturas”, Livro de Contos e Poesias, 150 pp, Editora Multifoco, (2010).


Jorge Xerxes é natural de São João da Boa Vista, SP.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

BLABLAblogue: Crônicas & Confissões

Em 31 de agosto comemora-se o Dia do Blogue. Os blogues nasceram como “diários de bordo”, mas atualmente cada blogueiro tem a sua própria opinião de como deve ser organizado um blog. Percebendo essa paixão pelos blogues, que não se limita a jovens, mas que atinge pessoas de idades e profissões diferentes, o premiado escritor Nelson de Oliveira organizou um livro escolhendo segundo o seu gosto pessoal os blogues mais interessantes.



Nelson de Oliveira, no livro “BLABLAblogue: Crônicas & Confissões" (Editora Terracota, 2009, 160 páginas), informa que existem mais de 140 milhões de blogues e cerca de 120 mil são criados diariamente. Ou seja, o blogue já conquistou o coração das pessoas. O critério para escolher os trabalhos que foram publicados no livro obedeceu simplesmente o gosto pessoal do organizador. Entre os escolhidos, destacamos o blog Cantar a Pele de Lontra do excelente poeta Claudio Daniel, EraOdito de Marcelino Freire, Espelunca de Ademir Assunção, Micrópolis da poeta e escritora paranaense Marília Kubota, além do blogue de Fabrício Carpinejar, entre outros destacados escritores. Um livro que reflete as inquietudes da época da internet. A democratização da escrita pode se expressar como blogues para todos os interessados.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

2º Concurso Poetizar o Mundo

Agradecemos a participação de todos os poetas que enviaram os seus trabalhos.

Os ganhadores do 2° Concurso Poetizar o Mundo, modalidade Indriso foram:

1º CIRCUMAMBULATIO, Jorge Xerxes; 2º A OUTRA MONTANHA João Elias Antunes de Olivei; 3 NO TEU CORPO, de Antonio Rodrigues Belon
Menções Honrosas: ARS POÉTICA de Rogério Luz e CABIDELA HUMANA de Geraldo Trombin.

Foram jurados o escritor Dr. Marco Antônio de Araújo Bueno e o poeta Vítor Queiroz.

[local="20110730-4265"]

1º lugar circumambulatio de Jorge Xerxes – o poema ganhador será publicado gratuitamente no livro de indrisos que será editado por Isidro Iturat e todos os poemas publicados nesse livro são inéditos e não poderia ser publicado no blog. Mas recebemos autorização de Isidro para publicar o poema.

[size="4"]circumambulatio[/size]

gárgula de ímpetos imanentes
o mais astuto dos segréis calar-se-ia
ante um torvelino de queixas tão obtusas

mas acolhe: afaga-lhes as faces rombudas
abre-lhes as palmas feridas de pedras
para que delas abandonem sorridentes flores

os embates não nutrem pérolas em ostras

é a síntese a erigir-lhes sentido

Autor: Jorge Xerxes é natural de São João da Boa Vista, SP. Mantém o sítio www.jorgexerxes.wordpress.com - "Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou". Publicou "As Cinquenta Primeiras Criaturas", Livro de Contos e Poesias, 150 pp, Editora Multifoco, (2010).

2° Lugar
A OUTRA MONTANHA de João Elias Antunes de Oliveira

Menino apascentando cabras na montanha.
O tempo badala no pescoço.
A longa vara indica a superação da sede.

O cajado ampara o medo.
Duas bocas compreendem o sol da manhã.
Apascenta os sonhos.

A montanha projetava seus ecos no vazio.

Menino apascentando seu rebanho de pedras na montanha.

Elias Antunes é professor, servidor público e escritor, publicou vários livros.


3º Lugar.
NO TEU CORPO

Arquitetura!
Arquibundura!
Arquimedes

Não me deu
(eureca)
Nem o grito nem o achado.

Teus seios...

Teus quadris.


Professor de Literatura Brasileira aposentado na UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Atua no Programa de Pós-Graduação, Mestrado em Letras, do campus de Três Lagoas, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e realiza estágio pós-doutoral e outras atividades no Programa de Pós-Graduação em Literatura na UNB – Universidade de Brasília.


MENÇÃO HONROSA

Ars Poética de Rogerio Luz

Nada saber não é um privilégio
da pedra ou do animal: o pensamento
se perde na palavra, nos intentos.

Nada pensar entre paixão e tédio
nada dizer acerca da montanha –
toda palavra dita soa estranha.

Emudecer a voz – tristonha ou álacre.

Vocábulos de júbilo dos pássaros.



Rogerio Luz (Rio de Janeiro, 1936) é professor aposentado da ECO-UFRJ. Poeta, ensaísta e artista plástico, publicou diversos artigos e livros na área de estética, psicanálise e crítica de arte. Tem três livros de poesia: Diverso entre contrários. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004, Correio Sentimental. S.Paulo: Giz Editorial, 2006, e Escritas. Goiânia: Editora UFG, Coleção Vertentes, 2011.


MENÇÃO HONROSA
CABIDELA HUMANA de Geraldo Trombin


Meu sangue avinagrado já está fervendo na panela.
Minhas partes – cabeça, pescoço, pés, asas criativas sem adejo –
Todas decepadas, prontas para serem refogadas.

O coração prestes a ser afogado na sua hemoliquidez;
O fígado embebido na sua lânguida embriaguez.
Sinto-me miúdo.

Sinto-me aos pedaços.

Prato a ser devorado.


Geraldo Trombin é publicitário, membro do "Espaço Literário Nelly Rocha Galassi" – de Americana/SP (desde 2004) e da CL (Concursos Literários)
Lançou em 1981 "Transparecer a Escuridão", produção independente de poesias e crônicas, e em 2010 "Só Concursados - diVersos poemas, crônicas e contos premiados". Com mais de 190 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país, tem trabalhos editados em mais de 70 publicações.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

RESENHA: De doze em doze horas







Esse livro de poemas de Alexandre França (editora 1801, 2010, 120 páginas) nos convida para observar a passagem das horas com os olhos do poeta. A subjetividade nos permite ver ambientes, pessoas, a própria cidade de um ponto de vista diferente: “ à noite mergulhar no fim mudo da linguagem, /modelar ruma raça...”.

A poesia de Alexandre França é moderna e imprevisível. Foge dos moldes, dos padrões. França nos leva por caminhos desconhecidos, abre diante de nossos olhos um mundo ignorado, uma dimensão poética que seduz pela beleza e assusta pela crueldade de alguns assuntos que aborda com singularidade. Vejamos o poema Moradia:
há uma cidade
no meu travesseiro,
um estado
embaixo da cama,
um país
entre a janela e a veneziana,
um mundo
num porta-retratos.
e você,
onde mora
aqui dentro
de casa?

Márcio Mattana enfatiza: “Embora Alexandre França nos ofereça um ciclo completo de manhã, tarde e noite, há sempre uma sensação meio noturna a brotar de seus versos. A manhã se mistura à madrugada e quase tudo é vivido dentro de quartos e salas, oscilando entre o sono e a insônia: “Há sempre alguém acordado por você”.

domingo, 10 de julho de 2011

Livro Passageiros do Espelho

RESENHA: PASSAGEIROS DO ESPELHO
A coletânea de contos tem a característica de respeitar o estilo de cada autor. Podemos então nos deleitar com os retratos muito bem elaborados por Bruno Camargo Manenti. Outros de alta dramaticidade, entre eles os trabalhos de Alessandra Pajola, Alessandra Magalhães, Fernando Scaff Moura, Sônia Cardoso e Zeltia G. Não falta uma visão do mundo espiritual feita pela professora Natália Bueno. Já o escritor Fernando Botto lembrou a infância e Maria Edna fala da idade madura. Elayne Sampaio e Ricardo Manzo nos levam por caminhos inesperados. Fernando Scaff Moura nos empurra para uma época de horrores que ainda está viva na memória da América Latina.
Na apresentação de “Passageiros do espelho”, José Feldman, da Academia de Letras do Paraná, fala: “Morremos e renascemos a cada conto. A cada espelho. Nos vemos confiantes, solitários, agoniados, suicidas, aliviados, tristes e alegres. Somos vários espelhos, mas ao final, apenas um”.
A escritora e poeta Adélia Maria Woellner escreveu no prefácio: “Os ‘passageiros do espelho’ rompem silêncios, oferecendo suas histórias, seus devaneios, seus encantos, os arcanos da imaginação”.
Fortalece esse trabalho a colaboração especial do escritor, professor e crítico literário Miguel Sanches Neto, que nos convida a fazer uma “Viagem de Volta”.
Nas orelhas do livro a atriz, radialista e escritora gaúcha Ângela Reale destaca que no livro penetramos “em mundos tão diversos, em encontros inusitados, sonhos desfeitos, amores de longe e de perto, saudades, morte e vida”.
Cada um dos contos é como um reflexo do acontecer. É a vida que se espelha na construção ficcional. Múltiplas manifestações construindo ninho nas palavras – e nos silêncios.
Esse trabalho começou em fevereiro deste ano, quando a Editora Íthala nos convidou para organizar uma coletânea de contos com alunos e ex-alunos da oficina “Como Escrever um Livro”, que ministramos no Solar do Rosário, o espaço criado pela doutora Regina Casillo. Como o número de participantes era limitado, falamos com os alunos do curso do primeiro semestre. Nem todos estavam dispostos a embarcar na aventura de escrever, reescrever e publicar. Alguns decidiram que ainda não estavam preparados ou que não podiam dedicar muito tempo a esse trabalho. E respeitamos a decisão de cada um deles.
Foi então o momento de falar com alguns ex-alunos com os quais mantemos contato pelo e-mail, como é o caso do escritor e professor Fernando Botto. Ele morou um tempo na Angola e, muito gentil, procurou-me quando voltou a Curitiba para que eu autografasse alguns exemplares de “O Livro do Escritor” para enviar a seus amigos angolanos. Também mantivemos contato com a jornalista e professora Alexandra Pajola, que participou da oficina e tem paixão pela escrita. Alessandra Magalhães e Natália Bueno, cada uma com seu estilo, destacaram-se durante as oficinas, e sempre enviam e-mail falando de seus novos trabalhos. Com Sonia Cardoso foi um encontro casual na recepção da Biblioteca Pública do Paraná. Ela já havia publicado um romance e estava iniciando outro trabalho literário quando eu fiz o convite para participar da antologia. Sonia aceitou imediatamente. Ela havia participado de uma oficina de contos que eu ministrei no Delfos, e tinha vários contos escritos. Uniu-se ao grupo minha amiga Sandra Rey Mosteiro, cujo pseudônimo é Zeltia G. Ela mora na Espanha, país onde edita a revista ZK 2.0.
O convite ao escritor Miguel Sanches Neto também surgiu espontaneamente. Ele havia sido meu entrevistado, e eu gostei muito da honestidade de suas respostas, além de admirar seus trabalhos como “Chove sobre minha infância” e “Venho de um país escuro”.
Os trabalhos foram árduos. Eu sei que o crítico acha que poucos trabalhos têm verdadeiro valor, mas eu quero mostrar os passos de um livro do ponto de vista do escritor. Escrever, reescrever sabendo que é impossível agradar a todos, mas cinzelando os contos com paixão. Só faltava uma boa apresentação para o nosso livro. A poeta Adélia Maria Woellner, pessoa despojada de vaidade, disse humildemente que escreveria, mas que se não gostássemos do prefácio, poderíamos ficar à vontade para escolher outra pessoa. Adélia é membro da Academia de Letras, e ficamos comovidos com a sua humildade. José Feldman, que apresenta o livro, é escritor, poeta e presidente da Academia de Letras do Paraná. Faltava só escrever as orelhas. Era um trabalho que eu pessoalmente não queria fazer, porque, além de organizar a coletânea, dois contos de minha autoria estavam lá, e acho triste quando a mesma pessoa organiza, escreve, prefacia, apresenta, faz as orelhas... Dá a sensação de orquestra de uma pessoa só. Eu gosto da diversidade. Gosto de olhares diferentes. Então solicitei a participação da atriz e cronista Angela Reale. Por fim, o trabalho estava tomando forma.

LANÇAMENTO
O lançamento de “Passageiros do Espelho” será em 26 de julho, a partir das 19 horas, no Palacete dos Leões, na Rua João Gualberto, 530, em Curitiba. A entrada é franca. Os interessados podem solicitar o convite pelo e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Será um prazer compartilhar esse momento com pessoas que amam a literatura.


Publicado no jornal ICNews, na coluna de Isabel Furini "Livros de Negócios", em 08 de julho de 2011.

3º CONCURSO DE POESIA “POETIZAR O MUNDO”

3º CONCURSO DE POESIA “POETIZAR O MUNDO” – Modalidade: Minimalista
Organizadora: escritora e poeta Isabel F. Furini, autora de O Livro do Escritor.

1) O Concurso de Poemas tem como objetivo estimular a produção literária e é destinado a todas as pessoas maiores de 18 anos que apresentem um poema minimalista inédito e escrito em português.

2) O tema é livre, a inscrição é gratuita e poderá ser feita até 30 de setembro /2011.

3) Cada concorrente poderá participar com apenas um poema minimalista (até 5 versos ou linhas) inédito (ou seja, ainda não impresso em papel, nem publicado na internet), que não tenha sido premiado em outro concurso.

4) Consideram-se inscritas as obras enviadas pelo e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Em "assunto": 3º Concurso de Poesia: "Poetizar o Mundo".
Poema no corpo do e-mail, sem anexo, escrito em língua portuguesa, digitado em espaço 2 (dois), com fonte Arial, tamanho 12 (doze).

6) Deverá constar no final: o título do poema, nome completo do autor, seu endereço, e-mail, telefone, RG, e 4 ou 5 linhas de currículo.

7) A comissão julgadora será composta pelo professor, poeta e escritor Alvaro Posselt e pela poeta Maria Edna Holer de Oliveira, autora do livro “Alvorecer da Poesia”, pela editora Protexto de Curitiba.

8) Premiação: o primeiro lugar receberá troféu e diploma. O segundo e terceiro lugares receberão diplomas. Poderão ser escolhidas até três Menções Honrosas, que também receberão diplomas.

9) O resultado do concurso será divulgado em sites literários da Internet e no blog: http://www.isabelfurini.blogspot.com/ - e Falando de Literatura, do Bonde News.

10) O resultado será divulgado até 10 de novembro/11. Na ocasião, também serão homenageadas com placa comemorativa duas personalidades do mundo das letras: o bibliotecário José Domingos Brito, organizador das Antologias Como Escrever e Por que Escrever, e o poeta e escritor Cyl Gallindo da Academia Pernambucana de Letras.

11º) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica concordância com as disposições nele consignadas.

Os troféus e placas foram doadas pela poeta Maria Edna Hole de Oliveira.
********

quarta-feira, 29 de junho de 2011

DESENVOLVER O HÁBITO DA LEITURA
























Em certa oportunidade, Borges falou que nunca existiu uma época em que ele não lera. Isso soou um pouco estranho na época, pois a palavra leitura era usada quase exclusivamente para ler textos. Hoje em dia a palavra leitura é usada em um sentido mais amplo e devemos dizer no sentido que usara Borges: de leitura do mundo. Ler o mundo é uma tarefa que nunca termina, podemos envelhecer, mas nossa biblioteca do mundo nunca está completa, sempre falta algum conhecimento.


Querer conhecer, desejar o conhecimento ou o autoconhecimento é tipicamente humano. Sócrates começou a aprender música quando já era idoso, e Platão conta que os jovens zombavam dele. Porém, Sócrates não ficava preocupado com isso, pois para ele a vida humana era um processo de constante aprendizado.


Mas como podemos incentivar o hábito da leitura nas crianças? Respeitando as sucessivas fases e tornando a leitura uma tarefa agradável.


Vejamos rapidamente as fases do desenvolvimento do pequeno leitor:
Pré-leitor: Primeira infância (dos 15/18 meses aos 3 anos). É o momento de presentear os pequenos com livros de plástico e, junto com os brinquedos, quando forem tomar banho, colocar na banheira esses livrinhos para que eles possam ver as imagens. Também gostam de chocalhos musicais.

Pré-leitor: Segunda infância (a partir dos 2/3 anos aos 6/7). A criança está começando a conquistar a linguagem. Livros para essa idade são os com muitos desenhos e poucas palavras. Livrinhos de humor, de bichos, contos que retratem famílias e contos de fantasia.


O leitor iniciante (6/7 anos). Os livros devem ser de linguagem simples. São bons os contos com início, meio e fim.


O leitor-em-processo (8/9anos). A criança adora desafios, textos inteligentes, textos de humor, histórias com final inesperado, contos que desafiem a imaginação. O leitor fluente (10/11 anos). É o leitor pré-adolescente, que gosta de histórias de humor, de histórias com heróis ou heroínas que lutam por um ideal, histórias de meninas e garotos que superam conflitos. Gosta também de mitos e lendas, histórias policiais e aventuras.


O leitor crítico (12/13 anos). Agora o domínio da leitura e escrita é total. Capacidade de reflexão, procura do eu, necessidade de entender o seu lugar no mundo. Gostam de aventuras, histórias policiais, romances, crônicas. As moças gostam também dos chamados “contos cor-de-rosa”, as famosas histórias de amor.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PERSONAGENS DA CRÔNICA






A crônica trabalha o personagem como espelho. A crônica tira as vestes das pessoas, as ajuda a entender a própria subjetividade, a rirem de si mesmas e do mundo. Faz lembrar de um personagem da mitologia asteca chamado Tezcatlipoca, o senhor do espelho fumegante.

Tezcatlipoca vestido como um homem simples chega ao palácio de Quetzalcoatl dizendo que tem um presente especial. Quetzalcoatl o recebe e quanto pergunta pelo presente o visitante lhe mostra um espelho. Quetzalcoatl fica admirado e desesperado ao mesmo tempo e pergunta: Todos me vêm desse jeito. O visitante disse que sim. Quetzalcoatl, triste, confessa que ele não sabia que era tão feio, que ele não se conhecia até ver-se refletido nesse espelho.


O cronista, muitas vezes, é como um novo Tezcatlipoca, o senhor do espelho. De fininho, de maneira simples, aproxima o leitor de um espelho para possa ver o próprio rosto. Aquele rosto cheio de marcas de raiva, de dúvidas, com algum sulco de inveja, com instintos que lembram aquele conceito freudiano de que em todo homem existe um canibal, ainda que nem sempre ele se manifesta.



Esse conceito do personagem como um de ficção no qual nos espelhamos nos faz entender a posição de Platão e Aristóteles. Eles entendiam que os protagonistas deveriam ser virtuosos para servirem de exemplo aos homens.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

hábitos do musgo

A poeta Eiléan Ní chuilleanáin.



O título do livro "hábitos do musgo" está escrito dessa maneira, sem letras em maiúsculo, talvez querendo fazer referência a um mundo escondido na cabeça da poeta Eiléan Ni Chuilleanáin. A Kafka Edições publicou em 2010 uma edição bilíngue, organizada e traduzida pela poeta e professora Luci Collin.



Eiléan Ní Chuilleanáin nasceu em 1942 na cidade de Cork, na República da Irlanda. Recebeu o título de Bachelor of Literature no ano de 1968. É uma das editoras-fundadoras da revista literária Cyphers. Poeta premiada, emprega um ponto de vista poético deslocado, enigmático.
No prefácio, Luci Collin assinala que “no panorama da poesia irlandesa contemporânea há um surpreendente número de poetas cuja importância literária vem sendo constantemente apontada pela crítica”. Os livros de Eiléan são reconhecidos pela crítica mundial pela alta qualidade literária.



No poema Antigas Recordações, encontramos o verso que serve de título ao livro:
Descobri os hábitos do musgo
que secretamente paralisa a pedra,
a ferrugem que suavemente rói as dobradiças
para manter a porta sempre aberta.
Tornei-me consciente da verdade
como a maré, impotente, subindo e descendo num certo ponto.

E, como podemos intuir nesse poema, a metáfora hábitos do musgo, talvez seja a força avassaladora e penetrante da poesia. Existe algo de metafísico permeando os poemas, um olhar não convencional, por isso a leitura de seu livro “hábitos do musgo” demanda várias releituras.
Em síntese hábitos do musgo é um livro de poemas profundo, enigmático, excelente para quem quiser penetrar num mundo subjetivo e enigmático.


Resenha de Isabel Furini publicada no ICNews.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUEM É A VOVÓ XANINO?







Magda R. Martín é romancista e também escreve contos para crianças. Na entrevista conseguimos entender um pouco o processo criativo que ela segue:


1) Magda, os contos publicados na revista ZJ 2.0 da Espanha, sob o pseudônimo de Vovó Xanino, são um sucesso. Conte-nos, qual é a chave para comunicar-se com o público infantil?
Tento entrar na mente da criança lembrando-me da minha própria infância. A mente infantil não percebe diferença entre os fatos dos quais nós, os humanos, participamos e os que podem viver os animais de qualquer espécie. A sua imaginação é rica e flexível, por isso compreende de maneira natural, com os mesmos programas, o traslado de sucesso de nossa vida quotidiana a uma vida animal. Daí o êxito de tantos contos com animaizinhos humanizados.


2) Como surgiu o pseudônimo de "Abuela Xanino", Vovó Xanino?
De uma maneira muito simples. Eu sou pouco hábil para encontrar títulos e pseudônimos e quando estava escrevendo a novela EL PIANO DE COLA, no fragmento no qual são citadas as "Xanas" asturianas (assim nomeiam as fadas dos rios na Astúrias), alguns amigos chamaram-me para participar de um foro literário. Como devia dar-me a conhecer mediante um pseudônimo, não pensei muito, escolhi "Xanino", que é o nome que se dá aos filhos das Xanas. Fazer-me chamar Xana me parecia demasiada pretensão. E com esse apelativo fiquei conhecida, logo, a causa de minha idade, já cumpri 77 anos, começaram a me conhecer como "Vovó Xanino", e assim permaneceu.


3) Qual é a sua rotina, em que horário você escreve?
Sou pouco notívaga e muito madrugadora, gosto de escrever durante as primeiras horas da manhã, quando, ainda, está tudo quieto, em silêncio. Mas se a inspiração surgir a qualquer outra hora do dia, eu aproveito. Inclusas algumas noites em que fico desvelada (fico com insônia) e, então, se surgir uma ideia, uma cena que possa ser interessante, se escrevo um texto, escrevo-o em um bloco que sempre tenho no criado-mudo, se por acaso as Musas se dignam visitar-me nessas horas.


4) Prefere escrever para adultos ou para o público infantil?
Gosto de escrever para ambos. Desfruto muito plasmando sentimentos profundos em uma historia novela, acho que isso é muito meu, muito pessoal. Não obstante, me houvera gostado de ser uma boa escritora de contos infantis, acho que é um gênero literário bastante difícil de conseguir. As crianças são muito inteligentes, não podemos menosprezá-las, sabem muito bem o que desejam e gosto muito de chegar a seus corações. É muito gratificante ver como elas riem ou se emocionam quando lhes esclarecemos assuntos ou quando realizam leituras de um conto. Eu sou avó de quatro netos.


5) Em que ano começou a escrever? Seu estilo mudou com o tempo ou manteve o mesmo estilo?
Acredito que nós, as pessoas que gostamos de escrever, não podemos determinar uma data concreta de nossos começos. Temos escrito sempre. Considero a arte da escrita como um dom com o qual se nasce (logo se pode ampliar e melhorar com os conhecimentos adquiridos), portanto, sempre estão aí. Sim, lembro que o primeiro conto que escrevi foi aos 9 ou 10 anos e o dei de presente para minha mãe. Nele dava vida a duas baratinhas que falavam entre si. Lamentavelmente não sei onde ficou esse conto, perdeu-se. Logo, ao longo do tempo, segui escrevendo "para mim", uma vez escrito e lido, tudo ia parar no cesto de lixo, nunca me considerei uma escritora capaz, sentia muita vergonha de que alguém soubesse que eu gostava de escrever, não dava valor a meus escritos ainda que, durante meus tempos de estudante, me destacava nas aulas de literatura. Quando eram organizados concursos, geralmente eu ganhava o prêmio. Logo a vida, meu casamento e o cuidado de meus sete filhos afastaram-me um pouco da escrita, ainda que não me afastassem da leitura, tenho lido sempre. O detonador de minha volta à escrita foi a morte de minha mãe no ano de 1990. Escrevi um conto em sua memória, que enviei a cada um de meus irmãos, sem êxito, claro, somente como uma lembrança. Posteriormente, com o falecimento de meu esposo no ano 1992 e com os filhos já crescidos, tive tempo livre para me dedicar à escrita. Naquela época, assisti a uma oficina de escrita para aperfeiçoar um pouco o meu estilo e desde então pratiquei e sigo praticando e aprendendo.Meu estilo creio que sempre foi a narrativa, gosto de narrar, acho que vou melhorando (e isso espero) não mudando.


6) Quais são os seus livros preferidos?
Gosto de todos os que sejam de narrativa, as biografias e as novelas históricas. Logo, qualquer tema interessante ou que se destaque no momento. Não dou títulos porque gosto e já gostei de tantos que não posso escolher um título determinado. Impactou-me bastante uma novela intitulada "Los que vivimos" de Ayn Rand, o "Sinuhé o Egipcio" de Mika Valtari, etc. Não posso escolher, são demasiados. Na atualidade há tantos escritores que é muito difícil encontrar um bom escritor. Acho que antes, tempos atrás, havia melhor literatura que na atualidade. Peço perdão, sinto muito, mas é a minha opinião.


7) Fale um pouco de seu novo livro "El piano de cola" (O piano de cauda).
É um livro não muito longo (não costumo escrever historias longas) que comecei há dois ou três anos e ficou numa gaveta só com as primeiras páginas escritas, esperando tempos melhores, até que um dia eu falei: Daqui se pode criar uma terna história, e comecei a trabalhar. Como quase tudo que escrevo, relatam-se acontecimentos da vida quotidiana, feitos que podiam acontecer a qualquer um de nós em igualdade de circunstâncias. Sucessos correntes da vida. Além de narrar os acontecimentos ou circunstâncias em si, gosto de explicar e intento expor em letras com a maior claridade possível todos os sentimentos que os personagens sofrem, e isso é muito difícil porque os sentimentos, como muito bem fala a palavra, se sentem, mas não existe uma palavra determinada para descrever um sentimento, então, o escritor deve fazer uma unidade com o personagem e, dentro do contexto da história, fazer chegar esse sentir do protagonista ao sentimento do leitor. É algo como ter que escrever entre linhas, coisa que o leitor deve captar.
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