domingo, 24 de novembro de 2013

GANHADORES 5º CONCURSO “POETIZAR O MUNDO”

Agradecemos aos jurados:
o editor do Instituto Memória, escritor Anthony Leahy, poeta Andreia Carvalho Gavita, editora da revista literária Mallarmargens e editora multimídia em Revista Zunái, o poeta, escritor e gestor cultural Daufen Bach, editor da revista virtual Biografias, e o poeta e escritor Jocelino Freitas.

1º Lugar


IMPRESSÃO AOS DEFUNTOS DO LAGO NATRÃO


Eu vi, nos olhos calcificados de um pássaro morto
O mesmo desespero opaco
Achados no olhar de um menino de rua.
Eu olhei fundo e vi medo
O Nada refletido em um punhado de pó.

Felipe Hack de Moura de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Estudou Publicidade e Propaganda na PUC-RS, atualmente estuda letras na UFRGS, já participou de oficinas literárias com os escritores Charles Kiefer e Paulo Kralik. Na oficina de Kiefer, em um concurso interno de contos, ficou no primeiro lugar.


2º Lugar
NÃO ESTOU EM CASA
Angústia
Habitar o mundo
Não meu habitat

Andreas Gonçalves Lind é natural de Lisboa, graduado em Economia e Filosofia, atualmente estuda Teologia em Roma.


3º Lugar
NECROSE
Ainda vivo
(e) morro
por sua
ausência
(presente em mim).

Paulo Franco: Reside em Ribeirão Pires-SP, tem 53 anos, casado, 2 filhos, é professor, formado em Letras e em Pedagogia e Pós-graduado em Docência para o Ensino Superior. Tem 8 livros publicados.

Menção Honrosa

AMOR-TECE
Esse samaritano coração

em cada renegada pétala,

em cada desprezado grão:

borda-se ínfima descoberta,

cultiva-se avessa plantação.

Jeferson Alves Bandeira, de Curitiba/PR, 33 anos, formado em Letras pela UFPR. Possui alguns livros publicados, entre eles o livro-baralho Agonias Ilustradas, que é uma réplica de uma caixinha de baralho, lançado em 2012. É um cara que acredita no poder que carrega em si a escrita. Ao se escrever, nos inscrevemos no mundo. Ao lermos, reforçamos essa inscrição. Se a literatura é um sistema, que nunca seja de opressão.

Menção Honrosa
PERGUNTANDO AO DEMO
- O que tem dentro de mim?
- Não tem nada, desgraça!
- E o que tem dentro de si?
- Não tem nada de graça.

Giovanna Carla Silva de Oliveira possui dois livros publicados: Outro Dia (2002) e Mesmo Assim (2008). Conquistou alguns prêmios em concursos literários e publicações em coletâneas. Já participou de saraus e recitais, como na I Bienal Internacional de Poesia de Brasília e Bienal do B – Poesia de Rua (T-Bone). Giovanna Carla é editada pela EMI Publishing Brazil e é membro correspondente da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa e da Academia Marataizense de Letras. www.giovannacarla.com.br

Menção Honrosa
URUBUS
As asas
sobre as casas
em brasas.
Moro no morro.
Onde todos os dias, eu morro.

Cleberton Oliveira Garmatz
Escreve o blog: http://triboanacronica.blogspot.com

Menção Honrosa
SIGO
Sigo colinas
E depois o luar
Uma voz
E um grito
Saudade
Gilcéa Rosa de Souza é Licenciada e Bacharel em Letras – Português/Inglês e pós-graduada em Língua Portuguesa, Planejamento Educacional e Educação Especial Inclusiva com Ênfase em Deficiências. É professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Atualmente cursa Biblioteconomia na UFES. Através da poesia teve a oportunidade de tomar posse como membro-correspon­dente da Academia Calçadense de Letras (ACL), da Academia Mateense de São Mateus – AMALETRAS e é membro efetivo da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras (AFESL). Em 2012 publicou Versos Inver­sos (poesia) e Reflexos do Outono (e-book de poesias).

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Lançamento: Escrevendo crônicas


Crônica é um gênero literário que desperta o interesse das pessoas por falar de assuntos quotidianos. O Instituto Memória lançará em 29 de outubro, 19 horas, no Palacete dos Leões, Av. João Gualberto, 530, Alto da Glória, Curitiba, o livro "Escrevendo crônicas: dicas e truques. Entrada franca.

domingo, 13 de outubro de 2013

HOMERO GOMES E A ARTE POÉTICA

Curitiba é uma cidade rica em produções literárias e artísticas. Sobre os poetas,  um professor falou que “moram à sombra do grande Leminski”. Muitos poetas, na atualidade, estão desenvolvendo uma linguagem própria, entre eles destacamos o trabalho de Homero Gomes. Ele é autor de “A Solidão de Caronte” e participará da antologia “Fantasma Civil”, organizada por Ricardo Corona.  O livro será lançado em 21 de outubro, 17h, no Palacete Wolf, Praça Garibaldi, 7 - Setor Histórico de Curitiba.

Entrevistamos Homero Gomes para conhecer melhor a sua trajetória no mundo da literatura.
A antologia Fantasma civil, organizada pelo poeta Ricardo Corona para a Bienal Internacional de Curitiba 2013

Homero, quando começou a escrever poemas?
Comecei no século passado, mas ainda não imaginava que assumiria essa atividade com tanta seriedade. Há pouco mais de quinze anos, sentava e escrevia como quem passava o tempo ainda adolescente. Muito poema foi para o lixo, muitos ficaram como registro do que não devo nunca mais fazer.

Cada poeta usa recursos diferentes. Quais são os recursos que você mais valoriza na escrita poética?
Como escrevi no ensaio Maldição da Leitura, publicado no jornal Rascunho, “talvez a literatura só traga mais caos à vida que já é turbulenta por natureza”, e é essa natureza, essa turbulência da vida, o sofrimento, a tristeza, a solidão, o desespero, a crueldade, a morte, os recursos que utilizo para escrever meus poemas. É na vida que penso.

Como você definiria o seu estilo?
Mesmo focado na vida, na natureza do ser humano, a voz dos meus poemas não é coloquial. Pode parecer contraditório isso, mas é assim. Desenvolvi uma voz muito imagética, narrativa, encantatória. Ou como disse Fernando Monteiro na quarta-capa de Solidão de Caronte, uma “poesia reflexiva que caminha para o cinzento da angústia contemporânea”.

 
Qual caminho segue para construir seus poemas? Você parte de uma ideia, de uma imagem, de uma palavra?
De uma preocupação, de um incômodo a respeito de algo que eu tenha visto, que tenha ouvido ou vivenciado. A partir dessa moléstia, penso em imagens, em sequências de ações, a partir delas as palavras vão surgindo guiadas pela narratividade própria da voz poética que desenvolvi. Voz que se permite impregnar-se de elementos estrangeiros como a filosofia, a religião e a mitologia, como bem lembrou Carlos Felipe Moisés, na orelha que escreveu para o livro, “poesia às vezes discreta, às vezes ostensivamente impregnada de seriedade e de filosofia, com a mediação da tradição bíblica ou do recurso à mitologia”.


Fale sobre o seu novo livro “Solidão de Caronte” – Como surgiu o título? Qual a orientação dos poemas?
O título do livro remonta não apenas à figura mitológica do barqueiro, mas à solidão a qual ele está condenado. Metáfora que Micheliny Verunschk identificou, relacionando-a a função de todo poeta, pois “não é por acaso que o livro se inicia com Sísifo e conclui com Prometeu, ambos mitos que reverberam o ofício da poesia”. Entretanto, não apenas aos poetas, mas aos seres humanos amaldiçoados a sofrerem sozinhos as suas angústias e tristezas.

Os poemas do livro são irmanados em temas e numa voz que não sou eu, mas com a qual me identifico. Sou muito criterioso, por isso, publiquei depois de tanto tempo e, também, restringindo ao máximo a quantidade de poemas no livro. O tempo, no final das contas, não importa. Sou poeta bissexto, sou escritor de final de semana. Pelo menos, por enquanto. Mas sou leitor em tempo integral, porque, assim como o Borges, me orgulho mais daquilo que li do que daquilo que escrevi.

Entrevistadora: Isabel Furini
Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Autora do livro de poemas “Os Corvos de Van Gogh”. Contato: isabelfurini@hotmail.com

 

MARCOS CORDIOLLI E O MUNDO DOS LIVROS

Nosso entrevistado é Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba. Marcos é graduado em História (UFPr, 1988) e mestre em Educação: história e filosofia da educação (PUC-SP, 1997). Professor universitário de graduação (desde 1994), de especialização latu senso (em mais 20 IES); palestrante e conferencistas; consultor técnico de publicações didáticas; publicou artigos, livros e materiais didáticos; É autor de Sistema de ensino e políticas educacionais (Editora IBPEX); cineasta, produtor associado do filme O Sal da Terra (Brasil, 2008) de Eloi Pires Ferreira; diretor de produção de Conexão Japão (Brasil, 2008); produtor executivo de Curitiba Zero Grau (Tigre Filmes e Labo).

Você gostava de ler quando era criança? Quais eram seus livros preferidos?
Eu leio com regularidade desde os oito anos de idade. E lia de tudo na adolescência e juventude. Incentivado (ou obrigado) pelos professores li obras de Monteiro Lobato e Machado de Assis. Também lia diversas histórias em quadrinhos. Cultivei o hábito de ler dicionários e enciclopédias (lendo verbetes aleatórios ou então seguindo as remissões dos próprios verbetes).

Das obras significativas, eu li a Eneida de Virgílio, com 10 anos e A República de Platão no ano seguinte. Eu também frequentava regularmente a Biblioteca Pública de Maringá, um dos locais muito fortes em minhas memórias de infância.
Uma referência importante nesse período foi o professor Galdino Andrade. Um escritor, que foi meu professor no primeiro ano do Ensino Médio (usávamos o livro do Geraldo Mattos). Dele eu li e guardo até hoje o Poeira Vermelha. Também li o Terra Molhada escrito por um goiano chamado Sidnei Pimentel, que presenteou o meu pai com um volume dessa saga familiar.
A minha primeira remuneração com 17 anos foi integralmente utilizada para adquirir a coleção da Editora Abril com os grandes clássicos da literatura.  E desde então leio com regularidade ao menos um livro por semana. Mesmo em momentos de grande tensão ou de muito trabalho sempre libero tempo para a literatura. Hoje estou tentando adquirir o hábito de ler no computador e no tablet. Mas não paro nunca de ler.
 

Qual é seu gênero literário preferido: conto, crônica, poesia, novela ou romance?
Eu leio todas essas literaturas. Os romances, novelas, contos, crônicas e poesias com regularidade. Eu também gosto de ler as crônicas publicadas na imprensa. Os meus autores preferidos são o José Carlos Fernandes, que publica às sextas-feiras na Gazeta, é um dos meus rituais, e a Claudia Wasilewski que leio na Revista Ideias.


Se tivesse que passar seis meses sozinho em uma ilha deserta, qual livro levaria?
Sem dúvidas: os três tomos das obras completas do Jorge Luis Borges. E se fosse só um título levaria o Ficções, dele.


Qual é o seu caminho para escrever uma crônica? Você inicia com uma palavra, uma imagem, uma lembrança?
Escrever crônicas sobre acontecimentos autobiográficos é um tanto complicado e me coloco em questionamento sobre o que de minha vida pode interessar a outras pessoas. Comecei escrevendo sobre as minhas viagens. Depois combinei viagens com experiências gastronômicas.
Eu tento produzir diversas crônicas ao mesmo tempo a partir de um tema comum. As primeiras foram da minha relação com a gastronomia e apreciação dos alimentos pelo paladar. Reuni histórias das minhas memórias afetivas das boas experiências com o paladar e fui formatando as crônicas. Agora estou ensaiando a produção de crônicas com histórias pitorescas que reuni ao longo da vida.

 
Fale sobre os novos projetos. Você tem a intenção de publicar algum livro de crônicas, além da participação em coletâneas?
Eu tenho publicado ensaios em áreas diversas. Eu estou com um romance e uma coleção de contos em processo de produção, mas que ainda estão longe do prelo. E estou reunindo crônicas para uma publicação.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Autora dos livros “Joana, a Coruja Filósofa” e “O grande poeta”, para o público infantil. Contato - e-mail: isabelfurini@hotmail.com

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PARIS SEMPRE É UMA FESTA


                Nesta época, na qual é tão fácil publicar um livro, é difícil encontrar um bom livro de crônicas. Ou seja, um livro interessante e bem escrito. Por isso chama a atenção dos leitores o lançamento de Evandro Barreto, Na Mesa Cabe o Mundo – De Paris ao bar da esquina, o gosto que a vida tem (Conexão Paris Editora, 2013, 134 p). O autor conseguiu imprimir um ritmo excelente às crônicas. Não é preciso esforço para realizar a leitura da obra – e isso é um trunfo para qualquer cronista.

                Já o escritor americano Ernest Hemingway eternizou essa fascinação que a cidade de Paris desperta nas pessoas com o livro “Paris é uma festa”, e Barreto, com um espírito mais prático, nos mostra a Paris da gastronomia requintada e até compartilha endereços para que os leitores viajantes possam conhecer esses locais.

A obra foi escrita de maneira estratégica, pois o autor desperta a curiosidade dos leitores falando de Paris, de gastronomia, de vinho, e até dando um pulinho na Inglaterra para informar em uma crônica que até Shelock Holmes comia lá. Vejamos um fragmento: “(...) Simpson’s-in-the-Strand. Integrado ao Hotel Savoy, de Londres, o Simpson’s existe desde 1828 e serve o roastbeef mais famoso do mundo, maturado por 28 dias e levado à sua mesa em carrinhos cobertos por grandes tampas de prata com mossas centenárias. O veículo é pilotado por um especialista no assunto, que parece trabalhar na casa desde a fundação”. Evandro Barreta dá uma pequena lista, para não cansar o leitor, de pessoas que passaram pelo local: “Segundo registros insuspeitos de Sir Arhur Conan Doyle, Sherlock Holmes era cliente assíduo”.

                As crônicas são ágeis e cativantes. Elas convidam à leitura. A linguagem é clara e o mérito de Barreto é não se deter demais nos assuntos. São textos de viagens e têm o movimento, a cor, o entusiasmo de uma viagem: “... antes de tomarmos na estação de Saint Pancras o trem que nos donduziria de volta a Paris em duas horas e poucos minutos, pelo Euro-tunnel.” Podemos perceber nesses pequenos fragmentos que a escrita acompanha o ritmo das viagens. Lendo surge a sensação de estar visitando esses locais, seja pela primeira ou pela vigéssima vez.

O viajante não é só o autor, mas também o leitor. Sim, o leitor é o convidado especial, ele contempla paisagens, saboreia bebidas, reconhece o sabor da boa gastronomia. “Meu caso de amor com os mexilhões começou na infância... Mais tarde vieram os mariscos da Catalunha”. Barreto sabe cativar o leitor, fazê-lo viajar nas palavras. Acontece que ele é publicitário e conseguiu passar o dinamismo e o olhar atento dos profissionais da publicidade aos textos.

Se você está acostumado a viajar ou se está preparando a primeira viagem à Europa, esse livro é leitura obrigatória. E se quer visitar esses locais com a imaginação, o livro também proporciona referenciais, dados, pequenos detalhes que ajudam a fazer a viagem maravilhosa. E talvez o mais importante é que terminamos a leitura com aquele desejo de ler novamente algumas das crônicas. Como um bom vinho o sabor dos textos permanece na memória.

                 “Na mesa cabe o mundo” tem um trabalho gráfico aparentemente simples, mas muito bem elaborado e revela a técnica usada no livro: simplicidade, detalhes eloquentes, enumerações precisas, enfim, um livro feito com muito cuidado para conquistar leitores. O livro pode ser adquirido no site:http://www.conexaoparis.com.br/produto/na-mesa-cabe-o-mundo

Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Já estão abertas as inscrições para a oficina “Como escrever contos para crianças” no Solar do Rosário, fone (41) 3225-6232. Contato: isabelfurini@hotmail.com,

CONTO E CRÔNICA, GÊMEOS UNIVITELINOS?

Conto e crônica são considerados gêneros de fácil execução, por isso atraem os principiantes.  Em “O Livro do Escritor” (Editora Instituto Memória, 2009), ao analisar os contos, falei: “Escrever contos é uma boa opção para iniciantes. O trabalho conclui-se mais rápido. A ansiedade termina em pouco tempo. Isso pode criar a falsa ideia de que escrever um conto é uma tarefa menor: talvez insignificante. Critério errado. A estrutura do conto não é mais simples do que a do romance. É diferente. Escrever um bom conto é difícil.”

Mas afinal quais são as características de um bom conto? O conto, como qualquer texto ficcional, cria um universo paralelo. E esse universo deve ser plausível. Alguns dizem que um bom conto é aquele que o leitor lê sem parar, quase sem respirar. Um conto precisa de uma narrativa intensa, de tensão. No conto tudo se encaminha para o desfecho, o escritor não tem tempo de tratar de assuntos laterais. O conto é curto e condensado.

Cortázar dizia: “O conto está para a fotografia como o romance está para o cinema”. Mas o que é importante numa fotografia? Para fazer uma fotografia artística é preciso determinar vários elementos, entre eles: enquadramento, luz, definição, proximidade. Pois bem, o mesmo acontece com o conto. Exige enquadramento, ou seja, limitação do assunto, de personagens e de ambiente. Assim como um fotógrafo, o contista se pergunta qual será o melhor efeito, se deve iluminar mais a figura central ou iluminar um lado e deixar o outro às escuras. Qual ângulo dará a melhor perspectiva? Qual dará mais profundidade? No conto, a perspectiva do personagem e a profundidade que pode alcançar são elementos que enriquecem a narrativa.

E a crônica? Já foi considerada um gênero híbrido por flutuar entre a literatura e o jornalismo. A crônica tem pontos em comum com o conto. As duas são narrativas curtas. Além disso, a crônica também admite personagens, o que a torna muito semelhante ao conto.

Então, quais são as diferenças? Enquanto o conto admite enredos infinitos, a crônica focaliza assuntos cotidianos. O conto admite vários incidentes. A crônica, só um incidente. A característica marcante da crônica é o ponto de vista, a opinião, o comentário, elementos que o conto dispensa. Não é raro confundir os dois gêneros. Isso acontece muito e provoca longos debates em concursos literários. Porque enquanto alguns consideram que a crônica deve ser simples, tão simples que qualquer elemento enriquecedor tira a sua característica de crônica, outros acham que a crônica é um gênero oceânico, permite qualquer tipo de abordagem.

Desse modo, podemos concluir que conto e crônica não são gêmeos univitelinos. E o que exigem do escritor? O conto exige unidade, além de criatividade. Já a crônica exige o poder de observação. O cronista é um ouvinte. Ele escuta frases, fragmentos de conversas na rua, na fila de banco, no restaurante. Como falou Rubem Braga, o cronista olha o mundo com os olhos de um poeta ou de um bêbado.

Uma característica: os dois gêneros parecem fáceis de trabalhar. Como são gêneros rápidos, dão a falsa impressão de que é só sentar ao computador e é possível escrever crônicas e contos excelentes. Mas não é assim. Esses estilos requerem análise microscópica. É preciso, depois de escrever, trabalhar cada parágrafo, cada frase.

Como fala o aforismo: a crítica é fácil, a arte é difícil.
Isabel Furini é escritora e poetisa premiada.
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