sexta-feira, 6 de julho de 2012

AUTORRETRATO DE FRIDA (poema de Isabel Furini)






AUTORRETRATO DE FRIDA

Agazapados en algún rincón oscuro del alma
pulsan los locos sueños de la juventud
y aquella mirada de Frida Kahlo,
de hielo
y de fuego.

Indescifrable, desértica, desnuda , invasiva mirada,
-          casi intocada.

Brillo azteca tatuado con maestría,
casi una sinfonía anclada en la memoria.


Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora dos livros "Os Corvos de Van Gogh", e  "Outros silêncios".

quinta-feira, 5 de julho de 2012

LIVRO BOM, LIVRO RUIM (Crônica)


Na oficina Como escrever um livro, que oriento há muitos anos, houve uma discussão quando uma aluna disse: Comecei a ler o Senhor dos Anéis, um livro muito mal escrito. Um colega contra-argumentou: Eu gostei do livro. Se você não gostou, é um problema seu, isso não quer dizer que não seja um bom livro, só que não agrada a todos os leitores.

E eu tive que desafiar o grupo com uma pergunta:
- Será que existe um livro que agrada a todos os leitores?

Uma senhora respondeu: - A Bíblia.
Um rapaz retrucou: - Será que ateus gostam de ler a Bíblia? (Risos)
Alguém disse: - Machado de Assis.
Apoiou um senhor idoso: - Isso mesmo.
Um aluno não esteve de acordo: - Minha tia não gosta de Machado de Assis, porque uma professora obrigou-a a ler O Alienista no colegial, na época que havia colegial...

- E os Lusíadas de Camões?
Silêncio na sala. Por fim, um rapaz disse: - Será que todos leram Os Lusíadas? Eu nunca vi esse livro na lista dos mais vendidos. E será que todos aqueles que leram apreciaram o livro? Ou alguns têm medo de falar que não gostaram e de parecer burros?

A discussão continuou por algum tempo. Por fim, eles mesmos chegaram à conclusão de que existe um livro aceito por todos os leitores. Existem livros aceitos pela maioria dos leitores, os best-sellers. Existem livros aceitos pela maioria dos intelectuais, em geral, livros que ganham prêmios importantes. Mas sonhar que um livro será apreciado e aplaudido por todos os leitores é algo muito difícil de acontecer. Talvez impossível em um país livre. Cada cabeça é um universo. Tem suas nuances. Sua história pessoal. Seu olhar único.
É tão fácil criticar o trabalho de outrem e tão difícil criar e realizar uma obra de arte que o aforismo fala “a crítica é fácil, a arte, difícil”. É assim mesmo, ver o erro no trabalho dos outros não leva muito tempo, por exemplo, observar um quadro e criticar pode levar questão de minutos.

Ler um texto e sentir desagrado também não leva muito tempo, em geral depende da dimensão do texto a ser lido. E, às vezes, nem isso. O leitor começa o texto e nem dá chances... já forma uma opinião ao focar as primeiras frases. E é muito interessante que a maioria das pessoas não fala: eu gostei, ou eu não gostei do texto, ela afirma: “está muito bem escrito”, “está mal escrito”, ou pior ainda, “esse é um bom escritor”, “esse escritor é ruim”, como se umas poucas frases fossem suficientes para julgar a obra completa de um autor.

“Eu não gostei desse livro” é uma frase honesta. “Esse livro é ruim” é uma frase fruto da arrogância, que tenta mostrar que a opinião dessa pessoa tem valor universal. Parece que ela está gritando: “Ei! Não leiam esse livro! Eu não gostei e ninguém deve gostar dele. Eu já falei, esse livro é ruim. Escutem meu recado”.

É comum em concursos literários haver pessoas insatisfeitas, aqueles que não ganharam, logicamente. Algumas dessas pessoas, ao conhecer os poemas ganhadores, enviam e-mails dizendo: “O poema que ganhou o primeiro lugar não é bom”. E não adianta. O poema precisa ser bom para os jurados. Às vezes eu também não fico contente com um trabalho que conquista o primeiro lugar, mas fico em silêncio pensando que cada ser humano tem vivências e ideias diferentes e que é preciso aprender a respeitar a escolha dos outros.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de “,,, E OUTROS SILÊNCIOS” que será lançado em 08 de julho/12, 11 horas, no auditório do Solar do Rosário, Largo da Ordem. Entrada franca.



domingo, 24 de junho de 2012

REDES (poema de Isabel Furini)

Tela: Sonhando com um planeta distante, do artista plástico Carlos Zemek. (Vendida). Outros trabalhos do artista:  http://cazemek.blogspot.com http://cazemek.blogspot.com



Trampa mortal
 en el mar de sombras.

Hay redes que nos atrapan. 

Refleja mi silencio
el movimiento del água
entre mis pies dormidos.

Y esas  montañas,
montañas del olvido
que reviven esperanzas muertas
y anuncian uma aurora nueva
en la desierta ruta del destino.

Poema de Isabel Furini

sábado, 23 de junho de 2012


Exposição de Artes Plásticas

A exposição procura despertar no apreciador das artes plásticas a vivência do silêncio, da solidão, do isolamento. O silêncio permeia os objetos, as paisagens. São corvos que vão ou voltam. Girassóis, nuvens e montanhas. É um mundo com suas formas e cores que encanta, seduz ou aterroriza. Existe algo além do que se pode ver na superfície. Cada obra é a expressão das camadas mais profundas da psique do artista. Uma história a ser descoberta em cada tela.
Esse é o desafio da exposição "OUTROS SILÊNCIOS...", desvendar a mensagem em cada obra.


Artistas Plásticos:
Carlos Zemek
Daacruz
Dirce Polli Bittencourt
Di Magalhães
J. Bonatto
Katia Kimieck
Katia Velo
Mari Inês Piekas
Masanori Fukushima (in memoriam)
Naotake Fukushima
Sandoval Tibúrcio





Abertura: 08 de julho 2012, as 11 horas.
Curadoria: Carlos Zemek
Local: Solar do Rosário.
Endereço: Duque de Caxis, 04, Centro Histórico, Curitiba.PR
Telefone: (41) 3225-6232.



sexta-feira, 15 de junho de 2012

ESTRADAS PARA ESCREVER BEM (Resenha)


Recebi dois livros nessa semana, COMO ESCREVO? e POR QUE ESCREVO? Obras que fazem parte da coleção “Mistérios da criação literária”, organizada pelo bibliotecário e escritor José Domingos de Brito.
A coleção Mistérios da Criação Literária foi publicada pela editora Novera de São Paulo, fazem parte da coleção: 1- Por que escrevo?, 2 – Como Escrevo?, 3 Literatura e jornalismo, 4 – Literatura e cinema, 5 – Literatura e Política.

O livro COMO ESCREVO, nas palavras do professor e crítico literário Fábio Lucas: “encara de preferência o aspecto instrumental da palavra. Ou, visto de outro ângulo, os modos como o escritor utiliza o aparato necessário ao registro do texto, enquanto elabora o parto da criação”.
O livro de José Domingos de Brito, responsável do site literário Tiro de letra, procura conhecer os meandros da criação literária. Como o escritor começa um novo livro, como organiza a sua obra, qual é o caminho que segue, a trajetória individual para conseguir traçar no papel ou no computador esse mundo paralelo que o mundo de ficção, como cria os personagens, o enredo.

Brito divide seu livro em duas partes. Parte 1, são depoimentos de grandes escritores. Eles falam de seus hábitos, dos caminhos que percorrem. Por exemplo, Amadeus de Queiroz fala: “Vou dar uma ideias. Logo que imagino um romance, crio os seus personagens e, antes do mais, faço uma relação de todos eles, com os nomes e as características de cada qual. Assim os personagens começam a existir desde logo. Vão adquirindo personalidade…”

Na segunda parte do livro, o autor, como bom bibliotecário oferece uma bibliografia comentada, muito útil para conhecer as fontes consultadas.

Além de registrar as falas dos grandes escritores do Brasil e do mundo, Brito escreve uma pequena biografia de cada um deles. Assim, o leitor consegue conhecer o pensamento de grandes escritores e ter os dados biográficos básicos.

Esse livro não pode faltar na biblioteca de jornalistas, comunicadores, e de qualquer pessoa que deseje dedicar-se a escrever contos, crônicas ou romances. O livro é vendido pelo próprio autor, contato pelo e-mail: ­literacria@gmail.com ou pelo fone (11)2991-3247

Publicado no ICNews em 11 de junho de 2012.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lançamento de ",,, E OUTROS SILÊNCIOS"

Em 08 de julho, 11 horas, no Solar do Rosário, Duque de Caxias, 04, Largo da Ordem, será lançado o livro ",,, E OUTROS SILÊNCIOS", autoria da criadora deste blog.







O lançamento será acompanhado da exposição "Outros silêncios", com os artistas: 


Carlos Zemek
Daacruz
Dirce Polli Bittencourt
Di Magalhães
J. Bonatto
Katia Kimieck
Katia Velo
Mari Inês Piekas
Masanori Fukushima (in memoriam)
Naotake Fukushima
Sandoval Tibúrcio
 Curadoria: Carlos Zemek


Mas detalhes veja na
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1264514


segunda-feira, 4 de junho de 2012

COLCHA DE RETALHOS

Ao receber COLCHA DE RETALHOS, o excelente livro de Rodrigo Domit, minha primeira impressão foi de desagrado. Havia visto a capa em alguns blogues e imaginei que o tamanho do livro fosse maior. Não sou muito chegada a livros de bolso por causa da miopia, gosto de livros grandes com letras grandes. Mas essa primeira impressão se desfez rapidamente. O livro revela um jovem escritor com um trabalho bem amadurecido, como escreve na contracapa o editor e jornalista Daniel Russel Ribas: “Narrativas que lembram em um instante do que é feita a boa literatura”.

A obra é de minicontos – talvez foi por isso que o autor escolheu tamanho pequeno para o livro. Mas à medida que vamos lendo, percebemos que de pequeno só tem mesmo o tamanho. Esse livro é um gigante em ideias. Em poucas palavras, Domit consegue costurar retalhos diferentes: filosofar sobre o mundo, criticar os erros da civilização contemporânea, ironizar os pequenos atos, lembrar um beijo que não sabe se foi dado por consolo ou por vingança.

O conto Criminoso, por exemplo, vale por várias cátedras de análise da sociedade. Na continuação o miniconto Embriagado: “Todas as coisas e ideias tendiam para a esquerda. Depois, inclinaram-se um bom tanto para a direita. Então, rolaram para o centro e por ali ficaram, no equilíbrio frágil de uma mesa de boteco. O álcool e a política têm efeitos semelhantes”.

Contato com o autor:  rodrigodomit@gmail.com
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