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sábado, 25 de agosto de 2012

TEATRO (Crônica)


As jóias brilhavam mais que outras vezes. Os olhos dos espectadores do teatro fugiam do palco para olhá-la. Ela estava lá, sentada, firme, ereta, no camarote principal, os olhos fixos nos atores. Nada poderia distrair a sua atenção, voltada toda para a representação de “O lago dos cisnes” do compositor russo Tchaikovsky.

A jóias brilhavam fazendo um contrate estranho com as rugas incrustadas como cicatrizes no rosto. Eram rugas na testa, no canto dos olhos, nas bochechas. Um sem fim de paisagens desenhado nesse rosto idoso. Cadê a beleza? Perguntava-se cada vez que se olhava no espelho do quarto luxuoso. Cadê? Peerguntou esse mesmo dia enquanto se observava no espelho oval da sala. Seu corpo ainda estava firme, magro, seu olhar era arrogante, tão arrogante quanto a sua postura, mas as rugas… essas rugas… denotavam a octogenária aristocrática cujo corpo não havia cedido ao passo do tempo. Não encurvava os ombros, não descia a cabeça, nem o olhar, suas costas não formavam corcova ao sentar-se. Tinha a postura arrogante de seus ancestrais. A senhora condessa não se reclinava na cadeira como outras senhoras de sua idade. Ela tinha orgulho, a pesar da doença seu aspecto era digno. Não seria a hemodiálise que tiraria o seu orgulho, que prejudicaria a sua postura. Mas, as rugas… sim, as rugas chamavam a atenção. Por isso colocara as jóias mais preciosas que havia herdado de sua avó.


As jóias brilhavam e algo dentro dela ia se apagando aos poucos. Morrendo aos poucos. Um cisne na penumbra do teatro. Mais um cisne quieto, imóvel. Só quando sua acompanhante murmurou no seu ouvido: – A ópera terminou, é hora de voltar para casa, tocando-a levemente, a cabeça da senhora condessa caiu de lado. E o corpo inclinou-se para frente reverenciando a morte.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

A CRÔNICA E OS ESPELHOS (Crônica)



Há anos oriento oficinas de literatura, e uma pergunta que surge frequentemente me leva a considerar que na atualidade o ser humano tem medo de pensar por si mesmo e medo de se expor. A pergunta é: “e sobre qual tema vou fazer uma crônica?”.  Essa pergunta é feita por pessoas inteligentes, capazes, muitas delas formados, bons profissionais, mas que têm medo de expressar o seu mundo interior, medo de errar, medo de escrever sobre algum assunto que desagrade.

Em primeiro lugar, devo dizer que uma das características do bom cronista é o fato de ser desagradável. Ele não pode agradar a todos, nem tentar fazer isso. Ele é como um espelho de sua época. Reflete o entorno.

O cronista procura as armas mais adequadas para escrever a sua crônica. Às vezes, pode ser chamado de canastrão e outros, de pessoa sensível. Ele nem sempre está preocupado com o impacto de suas palavras, mas com a satisfação de dizer alguma verdade que paira na sua cabeça e não o deixa dormir.

Tem também o medo de errar, sim, porque o século XXI tem uma obsessão com uma meta impossível: a perfeição. As pessoas acham que devem ser perfeitas. Ter o corpo perfeito. Não ter rugas, apesar de que os anos passam e mostram o contrário. Triunfar em tudo – para isso estão os filmes americanos mostrando o triunfador em esportes, em negócios, na vida. Dizer que não conhecem o ódio nem o rancor, são grandes e bons, verdadeiros heróis. Devem mostrar que também a vida familiar é uma perfeição. Ninguém fala uma palavra em voz alta. São todos seres equilibrados. Sim, porque neurose, obsessões, bipolaridade, depressão e outros sintomas de nossa sociedade consumista só atingem os outros. Cada um tenta mostrar a sua maneira que navega no barco da perfeição enquanto mora numa sociedade na qual impera a competição e a neurose pelo poder e pela riqueza.


Seres humanos são contraditórios. Interessante é perceber que sentimos vergonha dessa contradição, contradições entre palavras e ações, contradições internas, por exemplo, entre o dever e o desejo, entre o ideal de beleza e o instinto de sobrevivência, que nos induz a fazer coisas nem sempre certas. As próprias empresas correm atrás do lucro para poder sobreviver, mas só falam de sua “missão idealista”. Uma empresa que não dá lucros fecha as portas, não interessa que seu ideal seja maravilhoso. Um ser humano que não sabe se proteger dos joguinhos de poder do mundo neurótico que vivemos será facilmente manipulado. Mas é melhor fechar os olhos, continuar o sonho da perfeição, dizer que somos maravilhosos... santos ou anjos caídos no planeta Terra.


Talvez por isso não importem os estudos, a formação profissional, o nível socioeconômico. Muitos alunos perguntam: Sobre qual assunto vou escrever? Talvez eles desejem algum assunto muito simpático para não revelar o ser interior. Porque, sejamos honestos, é impossível viver só de photoshop. Tarde ou cedo é preciso olhar no espelho da verdade, ainda que seja só para escrever uma crônica.


Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de “Os Corvos de Van Gogh”, orienta oficinas literárias no Solar do Rosário. Contato (41) 8813-9276.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ESCRITOR NÃO TEM NADA PARA FAZER NA VIDA? (Crônica)


Há pouco tempo, estava saindo de uma aula, quando uma pessoa aproximou-se e disse: “Você é escritora porque não tem nada para fazer na vida, eu tenho muitas coisas para fazer... não tenho tempo para escrever”.  Olhei-a, se essa frase tivesse sido pronunciada por um estressado executivo paulista teria sentido, mas não, ela é aposentada.

E escritor é escritor por opção ou porque não tem nada para fazer da vida? Será que escritor não tem outras atividades para ocupar o seu tempo. 

Bom, no meu caso, além de escrever livros, oriento Oficinas para futuros escritores no Solar do Rosário e em outros locais, e não é só ministrar a aula, é preciso preparar o material para cada aula é isso leva tempo. Todos os professores têm o mesmo problema, preparar aulas e corrigir os textos dos alunos exige tempo. 

Entre outras atividades, eu mantenho esta coluna semanal no ICNews.  E para resenhar um livro, primeiro é necessário lê-lo. Pode até ser uma leitura rápida, mas é preciso conhecer o livro. Também ministro palestras. Não são muitas, mas exigem um trabalho especial.  Faço leitura crítica, ou seja, eu leio, analiso e faço a crítica de originais. Geralmente são os novos escritores que enviam suas obras para que eu possa dar orientações. 

Em síntese, para uma pessoa que é escritora “porque não tem nada para fazer na vida”, eu considero que realizo bastantes atividades.  Como disse minha amiga Helena, é bom gritar: “Oh, como estou cansada!  Fiz a leitura crítica de um livro enorme”. Ou “Hoje demorei a manhã inteirinha resenhando um livro, essa coluna dá muito trabalho!”. 

É, talvez essa seja uma boa opção falar do que faço para que as pessoas vejam que escrever livros não é tarefa para desocupados nem para vagabundos.

Nos anos 90, tive a honra de visitar várias vezes Helena Kolody. Lembro-me que uma vez ela disse: “Você é humilde demais, Isabel, e humildade demais prejudica”. Maravilhosa Helena! Seu olhar sempre era certeiro. Quando escutei essa aposentada desprestigiar meu esforço e meu trabalho dizendo: “você é escritora porque não tem nada para fazer na vida”, eu percebi claramente que devia mudar minha atitude. Ao final até a galhinha sai cacarejando depois de botar um ovo, ou seja, até ela faz alarde para que reconheçam seu trabalho.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada, ministra a Oficina “Como Escrever um Livro” no Solar do Rosário, fone (41) 3225-6232.


domingo, 22 de abril de 2012


CRÔNICA DE HUMOR O PADRE OU O PAI?
            Meu amigo Orlando, que também é argentino e professor, mora em São Paulo onde ministra cursos e palestras. Uma noite, estava ministrando uma palestra e bem na primeira fileira estava sentado um senhor de gravata preta com uma figura enorme de Mickey Mouse em amarelo, que dormitava e havia deixado cair a cabeça de lado. Quando o orador levantava a voz, o homem abria os olhos trabalhosamente e voltava a fechá-los.
            Meu amigo ficou nervoso e, ao falar a biografia de Freud, errou e disse duas vezes “o padre de Freud”, em vez de “o pai de Freud”. Acontece que em espanhol a palavra “padre” tem dois sentidos: de pai e de pároco de igreja. Depois de dizer o padre de Freud pela terceira vez, o homem da primeira fileira abriu os olhos e empertigou-se, meu amigo continuou, mas o homem interrompeu a palestra exclamando: Minha nossa! Isso quer dizer que Freud era filho de um padre? Mas que história interessante! Conte mais, professor.
            Orlando, rindo, desculpou-se, pois havia errado. Esclareceu que a família de Freud era de origem judaica, mas para ele foi muito divertido perceber que o homem havia acordado e ficado atento ao resto da palestra.

Crônica de Isabel Furini, publicada no ICNews.
Contato: isabelfurini@hotmail.com

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A TRIBO DOS ESCRITORES

 
A sociedade atual comporta várias tribos. Algumas são humanitárias, outras fanáticas, outras guerreiras. Hoje quero falar de uma das mais interessantes tribos conhecidas. Não vestem de preto como as tribos góticas, não ficam carecas como os skinheads, não pintam os cabelos como os punks... porém, destacam-se por estarem sempre armados. Os mais conservadores só usam lápis ou canetas. Os de avançada utilizam notebook e internet. Estou falando da tribo dos escritores.

 Essa tribo urbana, cujo crescimento exagerado está chamando a atenção dos sociólogos, está sempre em pé de guerra. Nenhum escritor suporta outro escritor. Diversos tipos compõem essa tribo: bipolares, paranóicos, alcoólatras, sonhadores, obsessivos, compulsivos, vampiros, lobisomens e alguns canibais ainda não identificados. E se alguém normal entra na tribo, é considerado intruso.

 No estandarte dessa tribo podemos ver um pavão. O pavão gosta de mostrar sua cauda irisada e os escritores - sejam contistas, poetas, romancista, cronistas e outros - estão sempre tentando dar destaque a seus trabalhos. Nas festas de aniversários, casamento e até em velórios, só falam do que acabaram de escrever. Quando participam de um concurso e não são vencedores, esbravejam: - Meu trabalho era o melhor. E eu não ganhei nem uma Menção Honrosa?!!!

 A vaidade é a marca registrada da tribo. E se um colega se destaca? Então é guerra!.. O escritor pega facas, adagas, espingarda ou metralhadora, o que tiver a seu alcance, e parte para a luta. Começa sorrateiramente. Primeiro procura criar dúvidas sobre a capacidade do outro escritor. Ah!.. nem vale a pena ler. Seus textos são tão superficiais!.. Ele está vendendo bem, mas não é bom escritor, não. É produto da mídia.

 O problema é que ninguém escolhe ser escritor. Escrever ou é fase - como acne em adolescente - ou é destino. E se é seu destino meu amigo, desculpe dizer isto, mas você está literalmente ferrado. Escritor precisa de aplausos, de reconhecimento... Por que? Porque o escritor se expõe. Sempre! E sente medo. Sempre! Coitado do escritor! Quando ignorado, sofre. Proclama sua genialidade em público, mas na solidão surge a dúvida. E se não for capaz criar uma verdadeira obra de arte?... Reconhecido pela crítica sabe que não pode errar. Escritor que erra é castigado com o chicote de Átila, o Huno. E quem não tem medo do chicote de Átila?

E o chicote não é só propriedade da tribo dos críticos, não! É também utilizado com destreza por parentes, amigos duvidosos, vizinhos, colegas de trabalho e outras pessoas que não suportam o êxito alheio e estão sempre esperando o momento oportuno para dar uma chicoteada em escritor que tem a coragem de mostrar sua obra. Então se o destino colocou você na tribo dos escritores... fazer o quê? Coragem, meu amigo, coragem!..

sexta-feira, 30 de março de 2012

VOCÊ CONHECE O QUIXOTE DE LA MANCHA?

El hombre de la Mancha




Será que o Quixote de la Mancha é somente um personagem criado por Cervantes na sua novela? Ou deveríamos dizer no primeiro romance que o mundo conheceu, como alguns consideram a obra?

Há poucos dias, ouvi de uma pessoa desiludida que o Quixote não existe mais. Não existe. Está passado de moda. Escondido em um baú escuro e úmido. O Quixote é coisa do passado.

Será? Ou talvez nossos olhos não foram treinados para descobrir os quixotes nas ruas da cidade, nos barzinhos do Largo, nas salas do Belas Artes, diante de um quadro no Museu Niemeyer, na livraria de usados buscando um título quase desconhecido, na noite de autógrafos lançando um livro para meia dúzia de pessoas, encostados nos vidros das agências de turismo olhando os cartazes com os olhos do desejo, procurando um vestido de noiva em algum atelier, olhando uma bola de futebol e sonhando.

Interessante que eu não consigo ver o Quixote encaixotado em um gênero literário, abarrotado de estúdios literários, morto.

Eu vejo o Quixote, ou os quixotes, todos os dias: é o poeta que vende seu livrinho feito por computador na Rua das Flores; é o ator de teatro que quase morre de fome, mas persiste esperando o êxito de sua próxima peça; é o recém formado que sonha em fazer uma pós-graduação na Europa, ainda que esteja desempregado no momento; é o empreendedor que inicia um pequeno negócio, mas sonha que terá êxito internacional; é o esportista sentado no banco de reserva, mas sonhando com um jogo fantástico. Céus!

Este é um mundo de quixotes! E de sanchos!

Quixote enlouquece, outros bebem nos bares, fumam ou ingerem substâncias proibidas, são os quixotes que chegaram ao limite de suas forças. Não conseguem mais sonhar sozinhos. E não adianta que uma sociedade materialista, doente, consumista e hipócrita julgue os outros – não sem antes olhar o verdadeiro rosto no espelho. E não falo dos dentes brancos depois de tratamento, nem do rosto de photoshop, falo do verdadeiro rosto – esse que escondemos dos vizinhos. Já falava Jung que quanto mais reprimimos “a sombra”, mais ela se fortalece.

Vivemos em um mundo de sonhos desconcertantes e de realidades desconcertantes. Um mundo de vazio existencial, de medos, de máscaras, de fantasias. Um mundo de palavras e imagens. Um mundo no qual os quixotes nascem, crescem, envelhecem, morrem e nem sempre conseguem realizar os seus sonhos. Eles deixam algumas sementes de ideias. E novos quixotes nascem e tomam o lugar daqueles que se vão. Como lemos na letra “The Impossible dream”: “Tentar com os braços exaustos alcançar a estrela inalcançável”. É isso mesmo. Sonhar e batalhar. É sempre amanhã que os sonhos podem ser realizados.
Hoje é só dia de luta.

E o mundo seria melhor porque um homem desprezado e coberto de cicatrizes ainda luta com o que resta de sua coragem para alcançar a estrela inalcançável”.

Queridos leitores, existe algo mais “quixotesco” do que isso?

Isabel Furini é escritora e poeta premiada (e-mail: isabelfurini@hotmail.com), autora de “Eu quero ser escritor – a crônica”, da Editora Instituto Memória.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Palavras (Mini-crônica)

Quando a emissora abriu, já havia uma fila de milhares de palavras. As arrogantes empurravam, e as tímidas, acovardadas, cediam os seus lugares. Algumas palavras eram boas, mas também havia palavras ruins. Algumas eram difamatórias, e outras, grosseiras.

A fila foi andando. A última palavra, cabisbaixa, apoiou-se na porta.

– Pode entrar – falou o porteiro.
– Para que? Ninguém se lembra de mim.
– Neste lugar inspirarás poetas, participarás de diálogos e discursos. Ressurgiras!

A palavra fraternidade entrou e propagou-se pelo mundo.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de "O Livro do Escritor" da editora Instituto Memória.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Currículo de mãe ou currículo profissional

Essa é uma dúvida que carrego há tempo. É algo que chama minha atenção e que me deixa com uma pergunta entre os lábios: Por quê?

Estou me referindo ao fato de ter observado em currículos para livros, palestras, cursos, e outros, que as mulheres misturam os dados pessoais e os dados profissionais. Percebi ao longo dos anos que algumas mulheres colocam frases como: esposa e mãe, ou avó do Dieguinho e da Mariazinha.

Nunca vi um currículo profissional masculino dizendo: sou esposo e pai, ou sou avô do Dieguinho e da Mariazinha. Parece que enquanto os homens se orgulham do fato de serem altamente profissionais, as mulheres querem comover dizendo que são esposas, mães ou avós. Um psicólogo amigo disse-me que isso é manipulação. Um intento de tocar o coração dos outros. Segundo ele, essas mulheres têm medo de não ser suficientemente boas na área escolhida. Escrever no currículo profissional “sou esposa e mãe”, ou “sou avó” seria uma forma de apelo emocional.

Isso me faz lembrar uma tira cômica da Mafalda do cartunista Quino. Susaninha, a amiga esnobe da Mafalda, e outro menino vão começar a jogar xadrez. Susaninha está sentada com uma boneca nos braços, olha para o menino e grita: Você não vai se atrever a derrotar uma mãe, vai?

Na minha opinião, e posso estar errada, se uma mulher coloca no currículo profissional que é esposa e mãe, não acrescenta nenhum dado importante para o trabalho que desempenha (sempre que o trabalho não for cuidar de crianças ou afins).

Além disso, sejamos honestos, depois dos 30 anos, o mais comum é que as mulheres sejam esposas e mães, como os homens, esposos e pais. Depois dos 60 anos, o mais comum é que as mulheres sejam avós.

Durante tanto tempo as mulheres lutaram para ter um lugar ao sol. Lutaram e ainda lutam para serem profissionalmente reconhecidas, por que, então, ao escrever um currículo, não respeitar os limites entre a vida familiar e a vida profissional? Essa é uma pergunta que não quer calar.

Crônica de Isabel Furini publicada no ICNews.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

No mundo dos sonhos (Crônica de Carlos Zemek


Tamanho da Tela: 60x60 cm - Valor: R$ 490,00.
Tema: Inspirado em um sonho.



Eu flutuo pelo espaço ... posso ver estrelas por todos os lados, quando percebo que estou próximo a uma nebulosa cor violeta .... Vejo a Terra de fora ... Mas ela é apenas uma rocha ... Onde um homem de capa de chuva e chapéu metálicos grita lá de baixo na superfície do planeta em meio a uma tempestade de chuva ácida ...

- Desce aqui meu amigo emplumado ... por que voas por aqui???
Sem entender por que ele me chamara de amigo emplumado eu resolvi descer voando e na descida eu noto que meu corpo é recoberto de penas azuis brilhantes ... eu sou apenas um pequeno pássaro azul ...

Pouso a seu lado em uma rocha e a tempestade se transforma em fina garoa, ele abre um guarda-chuva e o prende na rocha pra me proteger das gotas ácidas que já incomodavam minhas penas ...

É uma sensação estranha ser um pássaro disse eu !

- Você sabe muito bem, podemos ser tudo que imaginamos..
- Eu não me imaginei um pássaro!
- Mas voava pelo infinito como um !!!
- Eu estou sonhando não estou ??
- Sim
- Quem é você ?
- Sou parte do Todo como você...
- Por que chove ??? Se isto é um sonho não podia parar ???
- É assim que está sua mente no momento ... (Uma risada sinistra que me dá arrepios)
- Você é um elemental, espírito ou algo parecido???
- Nomes simplórios para definir meu estágio temporário de vida ...
Mas comparando poderia dizer que sou algo assim.
- Me sinto inquieto, posso voar um pouco ??
- Claro, o que você procura está do outro lado deste planeta ...
- Ok... (Me perguntei se ele sabia o que eu queria pois eu não sabia.)
Voar é uma sensação maravilhosa ... saio da atmosfera do planeta e já vejo uma espécie de lua cor violeta .. cheia de plantas e árvores ... enquanto me aproximo uma voz dentro de minha cabeça diz:
- Alto quem vem lá ???(Percebo que é a lua violeta quem fala comigo)
- Estou apenas de passagem... (Digo em voz alta)
- Pode vir!! (Diz a Lua)

Quando me aproximo bastante, posso ver que é um planeta muito parecido a Terra ... com árvores e plantas, mas tudo é púrpura, violeta, azul, roxo e lilás.
Pouso em uma pedra e observo um belo lago com três árvores que parecem emitir luz própria.

Quando olho para o lado lá está novamente o homem de capa de chuva metálica.

- Onde estou? (Pergunto maravilhado com a visão da paisagem)
- Está no lugar tranquilo de sua mente, dentro do mundo dos sonhos.

Fico ali alguns minutos observando a maravilhosa paisagem enquanto uma sensação de paz e tranquilidade invadem minha mente.
Após algum tempo uma grande espiral se abre no espaço e me suga rapidamente para dentro ... nesse instante acordo... mas com a imagem da linda Lua violeta e o lago com as três árvores impressa em minha mente.

Carlos Zemek é artista plástico. Contato: (041) 9831-2389.



Outras telas Clique aqui

sexta-feira, 13 de maio de 2011

VOCÊ COMPRA LIVROS PELOS TÍTULOS?

Os títulos dos livros funcionam como “ganchos” literários. E quem se baseia em títulos para comprar livros, às vezes cai em uma emboscada. Título bom, conteúdo ruim. Mas nem sempre. Muitas vezes, o título passa alguma idéia do livro, por exemplo, ao ler o título Cem Anos de Solidão de Garcia Marques, temos a sensação de que os personagens estão submersos em uma solidão sem fim.

Em uma das aulas de criação literária que ministramos em Curitiba, uma senhora levou um livro chamado Melancia. Um rapaz, ao ver o livro, comentou com sarcasmo “pessoal, imaginem quanto essa autora deve ter pensado para escolher um título tão elaborado, tão sofisticado, tão criativo: Melancia”. A turma riu. Outra moça acrescentou: “parece livro de receita de cozinha”. Mais risos. A senhora, um pouco zangada, defendeu o livro dizendo que ela havia lido e havia gostado.
E é assim mesmo, gosto não é para discutir (a não ser que você seja crítico de literatura ou de arte). Se todos os autores escrevessem livros ao estilo de Marcel Proust, não teríamos opções de estilos. Mas é bom analisar as implicações de um título. Muitas vezes, o autor coloca um título em seu livro e a editora sugere outro. O apelo comercial é muito importante para as editoras, pois ninguém quer publicar um livro que fique encalhado.

Muitas livrarias escolhem pelas capas, os livros para exposições em vitrines e gôndolas. Nelas distinguimos dois elementos importantes: o título do livro e a imagem. Capas bonitas, capas chocantes, títulos de impacto têm maiores chances de vendas.

Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, pai Pobre, conta que um editor aconselhou o título Economia doméstica. O escritor, com bom discernimento, exclamou: Quem vai comprar um livro de economia doméstica?!! Pai Rico, pai pobre é um título provocador. E deu certo, o livro vendeu milhões de exemplares.

Acontece que o mercado editorial está tão saturado, são tantos títulos novos todos os anos que fica difícil escolher. Por isso, muitos leitores procuram por autores consagrados. As obras de Garcia Marques, Lygia Fagundes Telles, Loyola Brandão, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar (e outros, pois é impossível nomear a todos) parecem trazer o selo de qualidade impresso na capa. Muitas pessoas chegam às livrarias e perguntam: Tem livros de Moacyr Scliar? Quais são os livros de Lygia Fagundes Telles que você tem? Às vezes, os leitores já conhecem esses autores ou escutaram falar e querem conhecer...

Para não nos deixarmos levar só pela capa, uma boa técnica é ler as orelhas do livro, o sumário e o prefácio. Com isso, já teremos uma visão mais próxima do seu conteúdo e poderemos avaliar se a obra será de nosso agrado. Pois ler deve ser como aquelas propagandas de cigarro,“um raro prazer” e o importante é que ler não causa câncer nem impotência. Leitura só traz vantagens, pessoal, só vantagens.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A POESIA ESTÁ MORTA?













A maioria das pessoas gosta de escrever poesia, não é verdade?



Ao menos em uma época da vida, na adolescência , nos momentos de solidão ou de tristeza, escrever poemas faz tanto bem para nossas almas! Para muitos, a poesia é como uma amiga secreta, a gente tem medo de mostrar o que escreve, pois os outros podem rir ou dizer: Li no jornal que estão procurando o assassino da Musa da Poesia,e vejo que o criminoso é você mesmo.


Há muitos anos levei um livro de poemas para um editor. Ele nem olhou, e disse: “Não edito poesia. Poesia tem mais autores que leitores”.


Realmente, o mercado de poesia é pequeno. Mínimo, diríamos. Até aqueles que escrevem poesia raramente adquirem livros de outros poetas. Por quê? Não sabemos. Uma amiga comentou que a maioria dos livros de poesia é ruim, então, ela só adquire livros de poetas já consagrados, porém “quem não arrisca não petisca”.


Milhares de poetas escrevem e bancam a edição de seus livros. Depois de pisar nas nuvens, caem na triste realidade. Como é difícil vender livros de poesia! São livros que encalham, disse-me um vendedor de uma grande livraria de Curitiba. E o pior é que encalham mesmo.


Conheço poetas que dão seus livros de presente. Algumas pessoas agradecem, manuseiam um pouco o livro na presença do autor, elogiam e guardam na prateleira sem ler. Às vezes, esses livros presenteados terminam no sebo, outros têm fim desconhecido. Isso porque as livrarias de usados estão abarrotadas de livros de poemas. A maioria dos sebos não aceita, não compra nem troca livros de poemas.


Mas você e eu, que amamos a poesia, talvez devêssemos ajudar – segundo nossas possibilidades, aos novos autores. Eu adquiri um livro de Poemas de José Luis Carvalho, O Sol do Sonho, na Fundação Cultural de Curitiba, como narrei na crônica publicada neste Portal, intitulada A Tribo dos poetas. E tive uma surpresa maravilhosa. Amei os poemas com suas imagens quebradas e metáforas originais.


Afinal, o desespero de novos poetas investirem em suas próprias obras demonstra que a poesia não está morta, ao contrário, está viva, forte e renovada. Uma musa sempre bela!
E livrinhos de poesia são, em geral, tão baratinhos! Eu decidi adquirir um ou dois livros de poemas por mês, para dar uma chance a esses novos poetas. Talvez meu pequeno gesto ajude alguém talentoso, talvez... Nunca se sabe.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

VOCÊ COMPRA LIVROS PELOS TÍTULOS?...


Os títulos dos livros funcionam como “ganchos” literários. E quem se baseia em títulos para comprar livros, às vezes cai em uma emboscada. Título bom, conteúdo ruim. Mas nem sempre. Muitas vezes, o título passa alguma idéia do livro, por exemplo, ao ler o título Cem Anos de Solidão de Garcia Marques, temos a sensação de que os personagens estão submersos em uma solidão sem fim.


Em uma das aulas de criação literária que ministramos em Curitiba, uma senhora levou um livro chamado Melancia. Um rapaz, ao ver o livro, comentou com sarcasmo “pessoal, imaginem quanto essa autora deve ter pensado para escolher um título tão elaborado, tão sofisticado, tão criativo: Melancia”. A turma riu. Outra moça acrescentou: “parece livro de receita de cozinha”. Mais risos. A senhora, um pouco zangada, defendeu o livro dizendo que ela havia lido e havia gostado.

E é assim mesmo, gosto não é para discutir (a não ser que você seja crítico de literatura ou de arte). Se todos os autores escrevessem livros ao estilo de Marcel Proust, não teríamos opções de estilos. Mas é bom analisar as implicações de um título. Muitas vezes, o autor coloca um título em seu livro e a editora sugere outro. O apelo comercial é muito importante para as editoras, pois ninguém quer publicar um livro que fique encalhado.

Muitas livrarias escolhem pelas capas, os livros para exposições em vitrines e gôndolas. Nelas distinguimos dois elementos importantes: o título do livro e a imagem. Capas bonitas, capas chocantes, títulos de impacto têm maiores chances de vendas.

Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, pai Pobre, conta que um editor aconselhou o título Economia doméstica. O escritor, com bom discernimento, exclamou: Quem vai comprar um livro de economia doméstica?!! Pai Rico, pai pobre é um título provocador. E deu certo, o livro vendeu milhões de exemplares.

Acontece que o mercado editorial está tão saturado, são tantos títulos novos todos os anos que fica difícil escolher. Por isso, muitos leitores procuram por autores consagrados. As obras de Garcia Marques, Lygia Fagundes Telles, Loyola Brandão, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar (e outros, pois é impossível nomear a todos) parecem trazer o selo de qualidade impresso na capa.

Muitas pessoas chegam às livrarias e perguntam: Tem algum livro novo de Moacyr Scliar? Quais são os livros de Lygia Fagundes Telles que você tem? Às vezes, os leitores já conhecem esses autores ou escutaram falar e querem conhecer...

Para não nos deixarmos levar só pela capa, uma boa técnica é ler as orelhas do livro, o sumário e o prefácio. Com isso, já teremos uma visão mais próxima do seu conteúdo e poderemos avaliar se a obra será de nosso agrado. Pois ler deve ser como aquelas propagandas de cigarro,“um raro prazer” e o importante é que ler não causa câncer nem impotência. Leitura só traz vantagens, pessoal, só vantagens.


Crônica de Isabel Furini publicada em 10/11/2008 no site: autores.com.br

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O PAPEL DA LITERATURA


O papel da literatura na vida social é muito importante e atinge de maneiras diversas pessoas com temperamentos diferentes e de profissões diferentes. Além da função estética (arte da palavra e expressão do belo), uma obra literária pode ter várias funções.

Entre elas podemos citar, a função lúdica (divertimento), a função cognitiva (forma de conhecimento de uma realidade objetiva ou psicológica), a função filosófica (questionar, provocar o leitor); a função catártica (que é muito importante, entendendo catarse a purificação de sentimentos, como o próprio Aristóteles falava ou, simplesmente, a libertação de emoções reprimidas) e a função pragmática (pregação de uma maneira de viver).

Não podemos esquecer que no Quixote de la Mancha, o protagonista enlouquece lendo novelas de cavalaria. Ou seja, a literatura pode modificar a maneira de ver o mundo do leitor.
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