segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

JORGE LUIS BORGES – e o poema de autoajuda


Acho que foi em 2005, orientava oficinas de textos no Solar do Rosário, quando uma amiga falou do poema intitulado Instantes (ou Momentos), com “dicas” de mente positiva, de autoria de Jorge Luis Borges. Minha primeira reação foi gritar: Não pode ser de Borges! Ela insistiu, dizendo que o texto estava circulando pela Internet.

Eu retruquei: Borges escrever um texto de mente positiva? É algo assim como Drácula elogiar o leite!

O poeta cego, escrevendo temas de positivismo mental? Borges? Aquele cego de voz amarga que eu havia escutado em uma palestra em 1970, quando estudava filosofia em meu país? A turma o escutou em silêncio, olhando-o como a um ídolo. Apesar de muitos o odiarem por sua posição política (extrema direita).

Ele divertiu a plateia com frases irônicas como: “as pessoas têm o mau costume de morrer”, ou “minha mãe tem tantos anos que ela não é eterna, ela é imortal”. Depois falou dos paradoxos de Zenon de Eleia.

Só participei dessa palestra. Se fosse hoje, não perderia uma única oportunidade de escutá-lo. Mas, na época, eu era jovem e estava mais interessada em passar longas horas em bares, discutindo temas de filosofia com meus amigos Alice, Jorge e Cristina, que em escutar um gênio como Borges. Vocês sabem como é... aos 20 anos, a gente se acha dono do mundo – e demora um tempo até entender que o mundo é que é o dono da gente.

Escutei dizer que Borges reclamava de tudo – mas isso é cultural. Afirmam que os argentinos nascemos reclamando do médico e das enfermeiras. E nossas primeiras frases não são: Eu amo a minha mãe, nem eu amo meu pai. Mas: Mamãe, a fralda está apertada. A mamadeira está fria...
Lembrei-me do conto O Imortal. O final reduz o conhecimento e a vida humana a palavras... Esse Borges irônico, mordaz, cáustico, filosófico, amante dos livros de Schopenhauer e dos paradoxos de Zenon, havia escrito um texto de mente positiva, antes de morrer?

Bem longe dos textos positivos (ajudam as pessoas, mas não têm valor do ponto de vista da literatura), Borges sempre foi um aristocrata da palavra. Adorava reformular o mundo. Sua visão não podia ser contida nem limitada no acontecer diário. Em um texto, ele alega que existem dois Borges, um que levanta da cama, toma o café, faz a barba. O outro Borges, ele vê nas enciclopédias, nas revistas literárias. E termina, deixando uma dúvida sobre o leitor: Não sei quem está escrevendo esta página, se eu ou ele.

O que deslumbra em Borges é sua escrita que nos leva por caminhos imprevisíveis. É sua visão do mundo. Sua linguagem cultíssima, consolidada por muitas horas de leitura e estudos. Borges provoca, desestrutura e mostra ao leitor que o mundo pode ser interpretado de outras maneiras. O poema: “Instantes”, de autoria de Nadine Stair, é como um acalanto. Os poemas de Borges são turbilhões. Estéticos. Intensos. Avassaladores. Sacodem nossa sensibilidade.

A literatura era sua matéria prima. Ele foi um pensador. Um criador apaixonado, de visão singular. Borges nunca gostou de elogios diretos. A um jornalista que o chamou “um dos grandes literatos de nosso século”, Borges respondeu: “é que este foi um século muito medíocre”.

Comprovou-se. O poema era de uma velhinha chamada Nadine Stair, que queria dar uma mensagem ao mundo. Abordei o assunto porque uma pessoa - também poeta - disse-me que, para ela, o poema era de Borges, e que havia uma confabulação para ocultar seu arrependimento da forma como havia vivido. A verdade é que todos estamos arrependidos de alguma coisa – ainda que nem sempre o confessemos. Morrer é fechar o livro, sabendo que não poderemos escrever nem mais uma linha. Enquanto somos jovens, a luta pela vida nos arrasta como um maremoto, mas com os anos, declinamos de muitos de nossos sonhos e lutas.

Pensar que Borges poderia ter refletido sobre o assunto... talvez. Isso não sei. Porém, acreditar que Borges pudesse ter sido o autor desse poema repetitivo, sem metáforas, sem jogos linguísticos, sem pensamento crítico, é um pouco de ingenuidade.

A viúva do escritor, Maria Kodama, declarou que teve de ir à Justiça deixar registrado que o texto não era de Borges e que ela, como sua herdeira, se negava a receber os direitos autorais dele advindos.

Esclareço que eu gostei da mensagem, mas seria muito estranho atribuí-la a Borges. Instantes, de Nadine Stair, é um texto singelo, direto. E as mensagens são lindíssimas!..

"Se pudesse vi ver novamente a minha vida,

na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido,

na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiénico.

Correria mais riscos, viajaria mais,

contemplaria mais entardeceres,

subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a lugares onde nunca fui,

tomaria mais sorvete e menos lentilha,

teria problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata

e produtivamente cada minuto dasua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver,

trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabem, disso é feita a vida,

só de momentos,não perca o de agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termómetro,u

ma bolsa de água quente,

um guarda chuvae um pára quedas;

se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,

começaria a andar descalço no começo da primavera

e continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua.

Contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,

Se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, já viram, tenho 85 anose sei que estou morrendo.»

Lembremos que Borges afirmou: “Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões...”


Vamos ver a diferença de linguagem, de estilo e de postura, lendo um poema (verdadeiro) de Borges. Você estará de acordo comigo, os estilos são muito diferentes.

AS COISAS (Tradução de Ferreira Gullar)
(...)Quantas coisas,limas, umbrais, atlas e taças, cravos,

nos servem como tácitos escravos,

cegas e estranhamente sigilosas!

Durarão muito além de nosso olvido:

E nunca saberão que havemos ido.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Escritor Miguel Sanches Neto (Entrevista)


Chá das Cinco com o Vampiro está agitando Curitiba. Nesses últimos meses ouvi aquele burburinho sobre o autor dessa obra, o escritor , professor e crítico literário Miguel Sanches Neto. O pessoal emite conceitos tão diferentes sobre ele, do tipo “esse cara é um grande escritor”, “ele é um oportunista”, “ele é honesto demais”, que decidi entrevistá-lo e criar minha própria opinião.

Queria conhecer o trabalho de Sanches Neto e comecei com Venho de um País Obscuro e Pisador de Horizontes. Fiquei apaixonada por dois poemas desse livro: Difícil Aceitar (pág.143) e Poema para a Menina sem asas (Pág. 45). Esses versos expressam sua revolta contra os clichês e terminam com alto grau de lirismo e sensibilidade.


Imediatamente procurei Chove Sobre Minha Infância. O livro é realmente envolvente. Quando o menino pobre insiste em estudar e é enviado para o colégio, lemos: “Os pais estão longe, não podemos contar com os professores e com os empregados. Temos que sobreviver no meio de um jogo de poder em que fala mais alto quem pode mais...” (pág.137). Talvez Miguel Sanches Neto tenha vislumbrado o mesmo jogo de poder nos meios literários.
Quando enviei e-mail minha primeira surpresa foi a receptividade. Ele aceitou a entrevista. Em segundo lugar, fiquei admirada com sua honestidade. Ele não fugiu das perguntas. Nem respondeu com frases retóricas. Miguel Sanches Neto foi direto, objetivo, e suas respostas revelam um escritor que analisa seu próprio processo criativo friamente, sem autoelogios e sem sentimentalismo.


Essa honestidade podemos também perceber nos livros Chove sobre minha infância e Venho de um país obscuro, nesse último fala: Minha mãe comprava um único pão, repartindo-o entre quatro bocas”. (Pág. 13). Minha vó lavava roupas para fora e sempre trazia alguma sobra”. (Pág.17) “O padrasto me ensinou a ser correto, a não mentir, não furtar e todo o resto, mas exigindo ser obedecido em tudo, reduzindo-nos a passivos súditos.” (pág. 20).


Mas, no momento, o livro de Sanches Neto que desperta mais interesse é Chá das Cinco com o Vampiro, por isso começamos a entrevista com uma pergunta sobre esse livro.


1) Como foi gestado seu novo livro Chá das Cinco com o Vampiro?


Este romance nasceu de um projeto de criar um universo paralelo ao universo literário curitibano dos anos 90. Eu tive uma percepção de que havia muitos personagens possíveis naquele meio. Era um momento - começo dos anos 2000, em que tinha me desiludido com a vida literária, então havia um sentimento forte de frustração nos meus projetos de viver num ambiente literário. Foi neste contexto que nasceu o livro, onde uso e abuso da ficção para fazer um painel não do meio literário de Curitiba, mas do meio literário a partir de Curitiba.


2) Você foi criando os personagens e escolhendo como modelos escritores paranaenses ou, ao contrário, os personagens foram aparecendo na sua mente, criando-se sozinhos, como Minerva na cabeça de Zeus?


Eu queria contar uma trajetória e contar um ambiente, então foi esta espinha dorsal - a ida de um jovem problemático para a capital, a construção de uma outra possibilidade de ser, a solidão daquele que sai de seu território, a ilusão de uma vida no grande monde, e rompimento total com tudo a partir da primeira grande experiência existencial - a morte de uma pessoa amada. Em torno disso nasceram personagens que ora estão mais próximos do mundo factual, ora mais distantes - mas que são sempre pessoas ficcionais.


3) Você pensou e escolheu o enredo, ou "foi escolhido pelo enredo", a história foi tomando corpo sozinha, sem sua vontade.


Num primeiro momento, havia só o impulso para escrever, e fiz algumas tentativas soltas. Quando achei o caminho, estruturei muito rigorosamente o enredo - fiz uma planta baixa. Ao alternar tempos, criei a possibilidade de estabelecer confrontos. Em Pebiru, o personagem vive uma coisa que só terá resposta no outro tempo, já em Curitiba - e fui montando estes paralelismos, muitas vezes usando a ironia.


4) Você já escreveu livros de gêneros diferentes como Impurezas Amorosas (crônicas), Venho de um país obscuro (Poesias), Contos para ler em viagem, Contos para ler no bar, o romance Chove sobre minha infância, e outros. Qual destes gêneros você prefere? E qual de seus livros lhe deu maior satisfação escrever?


Eu me encontro mais no romance, pois o romance apresenta uma oportunidade de dizer mais, de ampliar as discussões, e exige mais do autor também, pois não é possível escrever uma história com proporções tão dilatadas com um envolvimento pequeno, tanto de tempo quanto de energia psicológica. O romance é, para mim, como eu já disse em alguns lugares, um resumo de todos os gêneros literários. Você pode se valer de outras formas textuais para compor o romance, e esta liberdade me agrada muito. O livro que me deu maior alegria na escrita foi Chove sobre minha infância (2000), meu livro de estréia nacional, onde eu passo a limpo, ficcionalmente, a história de minha família. Foi um livro produzido em apenas um mês de dedicação exclusiva.

5) Podemos entender que seus enredos e personagens partem da realidade, mas que nunca permanecem lá. A realidade é só o ponto de partida. Isso pode confundir um pouco os leitores - pensam que seu livro é "quase histórico", quando na realidade estão lendo pura ficção. Sente-se incomodado por essa confusão de alguns leitores e críticos?

Ficção é por natureza um terreno movediço, você não tem muitas certezas neste espaço. Eu trabalho numa espécie de radicalização do conceito de não-ficção. Tudo parece muito real, e há uma dose de realismo muito grande, mas eu não facilito para o leitor, eu tento enganá-lo, ou criar uma confusão. Que alguns leitores caiam neste equívoco eu acho normal, o que me estranha é que críticos e escritores que escrevem sobre livros valorizem apenas o factual em meus livros, um falso factual. A literatura não é uma área para leitores ingênuos, ela exige uma capacidade imaginativa muito grande. O problema é que a humanidade como um todo está perdendo a sua capacidade de imaginar, porque os meios de comunicação valorizam excessivamente a realidade, então o leitor quer ler tudo como realidade. Isso faz com que a literatura assuma mais do que nunca o seu caráter fantasioso.

6) Que conselho daria aos novos escritores?


Que nunca deixem de ler muita literatura, pois não há outro caminho para a construção de um estilo, de uma voz, de uma visão do mundo, do que lendo a literatura que nos antecedeu. Escrever deve ser sempre um subproduto da leitura, uma forma de unir nosso nome a uma tradição, nem que seja negando-a.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O PAPEL DA LITERATURA


O papel da literatura na vida social é muito importante e atinge de maneiras diversas pessoas com temperamentos diferentes e de profissões diferentes. Além da função estética (arte da palavra e expressão do belo), uma obra literária pode ter várias funções.

Entre elas podemos citar, a função lúdica (divertimento), a função cognitiva (forma de conhecimento de uma realidade objetiva ou psicológica), a função filosófica (questionar, provocar o leitor); a função catártica (que é muito importante, entendendo catarse a purificação de sentimentos, como o próprio Aristóteles falava ou, simplesmente, a libertação de emoções reprimidas) e a função pragmática (pregação de uma maneira de viver).

Não podemos esquecer que no Quixote de la Mancha, o protagonista enlouquece lendo novelas de cavalaria. Ou seja, a literatura pode modificar a maneira de ver o mundo do leitor.

sábado, 29 de janeiro de 2011

OFICINA COMO ESCREVER LIVROS - O ROMANCE

OFICINA COMO ESCREVER LIVROS - O ROMANCE

Como vencer o desafio de escrever um romance? Conheça os segredos do universo ficcional. Como criar personagens marcantes? Como escolher e enriquecer o enredo? Aprenda a escrever um livro passo a passo, aprimorando o estilo. Descubra sua voz literária.
Professora: ISABEL FURINI
Data: Fevereiro a Abril de 2011 / 4ªs feiras Horário: 17h15 às 19h15Preço: Parcelas mensais de R$ 150,00.

Solar do Rosário, rua Duque de Caxias n° 4, Largo da Ordem, fone: (41) 3225-6232.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OS PERSONAGENS NOS CONTOS E NAS CRÔNICAS



Máximo Gorki em Como Aprendi a Escrever (página 75), afirma: A arte da criação literária, a arte de forjar personagens e tipos existe imaginação, intuição, habilidade para “compor coisas” nos quadros da mente.



Gorki considera que é possível escrever ficção, descrever, por exemplo, um tipo de comerciante ou de operário retratando uma pessoa que o autor conhece, mas que para aumentar a amplitude e profundidade, um escritor deve conhecer vinte cinqüenta ou cem comerciante ou operários, traçar seus perfis, costumes, crenças, atitudes, expressão e depois, sintetizar todas as características em um personagem.

No momento de trabalhar a história é preciso fugir do lugar comum. A inversão, a substituição de um elemento pelo seu contrário, dá ao conto o sabor do inesperado.

O personagem não precisa ser simples, lembremos de Tartufe disfarçado de devoto, o diabo, de criança, o jovem príncipe de mendigo – atitudes estranhas de um personagem ou o equívoco de suas ações pode dar vida à obra de ficção.

Seres humanos são contraditórios, por que os personagens não poderiam também mostrar contradições entre palavras e ações? Ou contradições internas, por exemplo, entre o dever e o desejo. O orador pode ministrar uma palestra emocionante sobre o problemas dos ciúmes, porém terminado a palestra brilhante pode sentir ciúmes da esposa. O médico pode fazer um belo discurso sobre a necessidade de parar de fumar e, terminada a palestra, acender um cigarro. Um homem pode desejar ser amável, mas fala agressivamente quando é contrariado. O gerente tenta se controlar, mas quando não encontra o relatório tem um acesso de raiva.

O trabalho de personagem deve ser intenso. Um personagem é um revelador de uma faceta do homem. Máximo Gorki (página 91) dizia que “um escritor só poderá criar vivos retratos de pessoas típicas se possuir bem desenvolvido o poder de observação, a capacidade de encontrar semelhanças e descobrir diferenças e se está disposto a aprender, a prender e aprender.”

A crônica trabalha o personagem como espelho. A crônica tira as vestes das pessoas, as ajuda a entender a própria subjetividade, a rirem de si mesmas e do mundo. Faz lembrar de um personagem da mitologia asteca chamado Texcatlipoca, o senhor do espelho fumegante. Tezcatlipoca vestido como um homem simples chega ao palácio de Quetzalcoatl dizendo que tem um presente especial. Quetzalcoatl o recebe e quanto pergunta pelo presente o visitante lhe mostra um espelho. Quetzalcoatl fica admirado e desesperado ao mesmo tempo e pergunta: Todos me vêm desse jeito. O visitante disse que sim. Quetzalcoatl, triste, confessa que ele não sabia que era tão feio, que ele não se conhecia até ver-se refletido nesse espelho.

O cronista, muitas vezes, é como um novo Tezcatlipoca, o senhor do espelho. De fininho, de maneira simples, aproxima o leitor de um espelho para possa ver o próprio rosto. Aquele rosto cheio de marcas de raiva, de dúvidas, com algum sulco de inveja, com instintos que lembram aquele conceito freudiano de que em todo homem existe um canibal, ainda que nem sempre ele se manifesta.

Esse conceito do personagem como um de ficção no qual nos espelhamos nos faz entender a posição de Platão e Aristóteles. Eles entendiam que os protagonistas deveriam ser virtuosos para servirem de exemplo aos homens.

domingo, 16 de janeiro de 2011

10 ERROS DE REDAÇÃO


Um jovem estudante enviou um e-mail solicitando orientações práticas para escrever. Ele quer conhecer os 10 erros e os 10 acertos na redação de um texto.

A mídia acostumou as pessoas ao número 10 – Os 10 livros mais vendidos; as 10 músicas mais escutada; os 10 artistas mais famosos de Hollywood; as 10 mulheres mais belas do mundo. Por que não os 10 acertos ou os 10 piores erros de redação?

Começarei com as más notícias e deixarei a boas para os próximos dias. Iniciarei com os dez erros. Segundo minha opinião, cada educador deve ter sua lista, mas coloco a minha – que não é definitiva - no intuito de auxiliar os estudantes. E não falo de erros ortográficos – tem especialistas que cuidarão da nova ortografia – eu falo da maneira de estruturar um texto.

O aforismo esclarece que “a crítica é fácil e a arte difícil”. E é assim mesmo, quando a gente olha o texto de outro parece que é tão... como dizer... pobrezinho! Sem imaginação, cheio de erros. Céus! Como eles escrevem mal, pensamos. Mas quando é nosso texto que está em julgamento sempre achamos uma maneira de dissimular os desacertos.

Existem erros que são como chicotadas nas cabeças e corações dos queridos professores.
Então, não massacre o professor com erros pungentes. (Lembre que eles são os felizes possuidores de armas letais chamadas notas).

Eu fiz uma lista dos dez erros comuns. São orientações que podem ajudar no momento “h”:
1) Evite escrever um texto longo demais. Só autores muito especiais podem fazer isso sem cansar o leitor. Textos longos tem tendência de serem monótonos.

2) Cuidado com as repetições de palavras ou de idéias. Leia e releia seus textos para cortar repetições. Corte as redundâncias. Entre as mais comuns: subi para cima, desci para baixo, sai para fora, entre para dentro, o desenlace final da novela, ganhei um brinde grátis.

3) E o gerúndio? Não caia no gerundismo. Na atualidade existe uma guerra contra o gerúndio. Então não exagere. O gerúndio pode ser usado com bom senso. Não é utilizado quando o verbo está no futuro. Se falar, por exemplo: estarei passando a ligação, alguém poderá assinalar: você está errando. O gerúndio denota ações no presente. Mas o gerúndio pode ser usado corretamente quando transmite idéias de movimento, progressão, duração, continuidade. “ Ficou lendo um livro”, “permaneceu um longo tempo olhando pela janela”, “ pegando o microfone falou calmamente”, etc.

4) Evite infantilizar o texto colocando diminutivos: Joãozinho brincava com um carrinho com seu amiguinho (até crianças detestam essa forma de falar, pior ainda colocar em textos).

5) Cuidado com o advérbio de modo. Seu uso é correto, mas a abundância de “mente” dá a sensação que estica a frase. Monotonamente.

6) Evite gírias, que podem comprometer uma redação. Com exceção de casos em que o discurso dos personagens exige gírias para dar verossimilhança.

7) Suprima também estrangeirismo. Defenda sua língua. A língua portuguesa é riquíssima. Se o personagem lembra seu passado, porque dizer que o autor faz um flash back, se em português existe a palavra recuo, uma das acepções da palavra recuo é: afastamento no espaço e no tempo.

8) O Romantismo teve uma época de ouro. Porém, as frases usadas pelos escritores e poetas românticos foram mal empregadas e se desgastaram. Algumas tornaram-se clichês como: “o fogo da paixão”, “o amor é como o fogo”, “meu coração sofreu”, “cabelo da cor do trigo”etc.

9) Não exagere. É verdade que às vezes sentimos raiva, e até desejos de dar um soco no nariz de alguém que despreza nossa novela preferida ou que elogia um livro que odiamos. Mas, no momento de escrever temos que tentar... ao menos tentar, argumentar de maneira clara e equilibrada. Nem sempre é possível, eu sei...

10) Uma regra de ouro: Não copie o texto de outro, talvez ele seja pior escritor do que você.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LA NOCHE DE PEDRO PÁRAMO (poema)

Silencia el trueno amordazado en el árido desierto,
la noche macilenta
aprisionada por las violentas gárgolas del rencor, arquea.

Noche que alimenta sombras, matriz de espectros
que deambulan por la árida tierra de los muertos.
Noche disfrazada de efigie de proa
naufraga en angustiados alfabetos.

(El abismal relato de Juan Rulfo penetra en los oídos
y en el alma,
mientras falanges descarnadas excavan remembranzas.)

Nada se mueve en lontananza.
Nada se mueve en esa noche sin estrellas.
Noche de niños muertos
enterrados en cajones blancos con arabescos.

Noche deshabitada – sin esperanzas, muerta,
casi un contorno de casas en penumbra,
las puertas aúllan y agrietan lúgubres sombras.

Sucumbe, verticalmente, la noche e impulsa el viento
que arremete contra ese pueblo polvoriento y olvidado,
trancado entre paredes de espectros y de traumas.

Pedro Páramo acecha nuestros pasos
con sus ojos crueles nos transforma en monolitos de piedra
y quedamos como estatuas avasalladas, inertes,
en el árido desierto de Comala.

Poema de livro inédito de Isabel Furini
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...